Levantamento revela alto índice de rejeição aos principais nomes da disputa presidencial e reforça o desafio dos pré-candidatos para conquistar o eleitorado em 2026.
A corrida pelo Palácio do Planalto continua marcada pela polarização e, ao mesmo tempo, por um cenário de desconfiança entre os eleitores. Mais do que medir quem lidera as intenções de voto, a nova pesquisa Meio/Ideia mostra um dado que costuma ter grande peso em disputas eleitorais: o índice de rejeição dos pré-candidatos. Os números revelam que os dois principais protagonistas do cenário político nacional enfrentam resistência significativa junto ao eleitorado.
Divulgado nesta quarta-feira (8), o levantamento aponta que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é o nome mais rejeitado entre os possíveis candidatos à Presidência da República, seguido de perto pelo senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Os dados reforçam um ambiente eleitoral ainda bastante dividido, no qual conquistar novos eleitores poderá ser tão importante quanto manter a própria base de apoio.
Lula e Flávio concentram maiores índices de rejeição
Segundo a pesquisa, Lula registra 46,4% de rejeição, enquanto Flávio Bolsonaro aparece com 43,4%.
Na prática, isso significa que esse percentual de entrevistados afirmou que não votaria nesses candidatos em hipótese alguma, indicador considerado estratégico por analistas políticos, já que mede o potencial de crescimento de cada candidatura durante a campanha.
Embora ambos concentrem os maiores índices de rejeição, a diferença entre eles é de apenas três pontos percentuais, dentro de um cenário que continua refletindo a forte polarização da política brasileira.
Michelle aparece em terceiro lugar
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ocupa a terceira posição entre os nomes mais rejeitados pelos entrevistados, com 28%.
Na sequência aparecem:
- Aécio Neves (PSDB): 18,6%
- Cabo Daciolo (Mobiliza): 14,1%
- Romeu Zema (Novo): 13,3%
- Ronaldo Caiado (PSD): 12,1%
- Renan Santos (Missão): 10,1%
- Samara Martins (UP): 8,9%
- Rui Costa (PCO): 8,8%
- Hertz Dias (PSTU): 8,5%
- Edmilson Costa (PCB): 8,2%
- Augusto Cury (Avante): 7,2%
- Joaquim Barbosa (DC): 7%
Além disso, apenas 0,5% dos entrevistados afirmaram não rejeitar nenhum dos nomes apresentados, enquanto 5,7% disseram ainda não saber responder.
Rejeição pode definir os rumos da eleição
Nas campanhas presidenciais, os índices de rejeição costumam ser acompanhados com atenção por partidos e estrategistas. Isso porque candidatos com elevada resistência entre o eleitorado tendem a enfrentar maiores dificuldades para ampliar sua base de apoio durante a disputa.
Ao mesmo tempo, pesquisas desse tipo oferecem um retrato do momento político e podem sofrer alterações ao longo da campanha, especialmente com o início da propaganda eleitoral, debates e apresentação de propostas.
Metodologia da pesquisa
O levantamento foi realizado pelo instituto Meio/Ideia entre os dias 3 e 6 de julho de 2026, ouvindo 1.500 eleitores em todo o país.
A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-05628/2026.
Mais do que revelar quem enfrenta maior resistência neste momento, a pesquisa evidencia que a eleição presidencial de 2026 ainda está longe de um cenário definido. Em um ambiente marcado pela polarização e por altos índices de rejeição, o desafio dos pré-candidatos será conquistar a confiança de um eleitorado cada vez mais exigente, atento e disposto a avaliar não apenas discursos, mas também a capacidade de apresentar soluções para os problemas do país.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo e Senado Federal













