Ex-banqueiro muda estratégia de defesa após sucessivas negativas da Polícia Federal e amplia expectativa por um acordo que preserve parte de seu patrimônio.
A cada nova fase das investigações, o cerco se fecha ainda mais em torno do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Preso na Papudinha, em Brasília, ele agora enfrenta não apenas o peso das acusações, mas também o desgaste provocado pelo avanço das operações sobre pessoas de sua confiança. Diante desse cenário, a aposta em um acordo de delação perdeu força e deu lugar a uma nova estratégia, que busca reduzir os impactos jurídicos por meio da devolução de recursos em troca de benefícios legais.
Sem conseguir convencer a Polícia Federal a aceitar duas propostas de colaboração premiada, Vorcaro passou a concentrar seus esforços em uma alternativa que dispense a necessidade de apontar outros envolvidos no suposto esquema investigado. A mudança representa uma tentativa de reconstruir sua defesa em um momento considerado decisivo para o futuro do caso.
Nova estratégia de defesa
Segundo pessoas próximas ao ex-banqueiro, Vorcaro estaria desmotivado após a Polícia Federal ampliar o alcance das investigações e prender familiares próximos, entre eles o pai, Henrique Vorcaro, o primo Felipe Vorcaro e o cunhado Fabiano Zettel.
O avanço das apurações também atingiu o publicitário Thiago Miranda, considerado um dos principais responsáveis pela comunicação do ex-banqueiro. Ele foi alvo de uma operação da Polícia Federal e teve o passaporte apreendido após investigadores apontarem um possível risco de deixar o país.
Diante desse cenário, o plano agora é reformular completamente a estratégia jurídica. A prioridade deixa de ser a delação premiada e passa a ser a construção de um possível acordo baseado na devolução de recursos, em busca de benefícios judiciais sem a obrigação de implicar outros investigados.
Disputa por nova equipe jurídica
Nos bastidores, Vorcaro também avalia uma troca na condução de sua defesa. No último sábado (11), ele recebeu na Papudinha a visita dos advogados Cezar e Vânia Bitencourt, conhecidos por atuarem na defesa do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, que obteve benefícios junto ao Supremo Tribunal Federal durante as investigações sobre a suposta trama golpista.
De acordo com informações apuradas pela CNN, o escritório do casal Bitencourt disputa espaço com a banca do advogado Daniel Bialski para assumir a defesa do ex-banqueiro tanto na fase de investigação quanto em uma eventual ação penal apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Apesar das conversas, ainda não há definição sobre quem comandará a estratégia jurídica. A expectativa é que novas reuniões ocorram nos próximos dias para definir os próximos passos.
Enquanto a disputa pela defesa acontece nos bastidores, o futuro de Daniel Vorcaro permanece cercado de incertezas. Em meio ao avanço das investigações e ao enfraquecimento da possibilidade de uma delação premiada, cada decisão passa a ter peso determinante não apenas para o ex-banqueiro, mas também para os desdobramentos de um dos casos que mais chamam a atenção do país e que ainda promete novos capítulos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Gazeta do Povo













