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Capitã da PM morta pelo marido será sepultada nesta quarta; sargento preso por feminicídio também responderá por tráfico de drogas

Investigação aponta que Michele Leão Azevedo chegou sem vida ao hospital com diversas lesões pelo corpo. Família relata histórico de relacionamento abusivo, enquanto a Polícia Civil aguarda laudos periciais para esclarecer a dinâmica do crime.

A morte da capitã da Polícia Militar de Minas Gerais Michele Leão Azevedo, de 41 anos, deixou colegas de farda, familiares e amigos mergulhados em tristeza e indignação. A oficial, que dedicou parte da vida à segurança pública, teve a trajetória interrompida de forma brutal dentro do ambiente onde deveria encontrar proteção. O caso, tratado como feminicídio, volta a lançar luz sobre a violência contra a mulher e reforça o alerta para os sinais de relacionamentos abusivos.

O corpo da capitã será velado e sepultado nesta quarta-feira (22), dois dias após ela dar entrada já sem vida no Hospital Odilon Behrens, em Belo Horizonte. A despedida acontecerá das 9h às 15h, na Capela da Funerária São Cristóvão, no bairro Nova Gameleira. O sepultamento está previsto para as 16h, no Cemitério da Paz, na Região Noroeste da capital mineira.

Marido foi preso em flagrante

O principal suspeito do crime é o marido da vítima, o 3º sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, Eduardo Abner Pereira de Oliveira, de 37 anos.

Ele foi preso em flagrante por feminicídio e permanece detido em uma unidade prisional militar enquanto as investigações prosseguem sob responsabilidade da Polícia Civil de Minas Gerais.

Segundo a polícia, Michele foi levada ao hospital pelo próprio marido na noite de segunda-feira (20). No entanto, a equipe médica constatou que ela já estava sem sinais vitais e que a morte teria ocorrido entre quatro e seis horas antes da chegada à unidade de saúde.

Lesões levantaram suspeitas de feminicídio

De acordo com o boletim de ocorrência, a capitã apresentava diversas lesões espalhadas pelo corpo.

Entre os ferimentos identificados estavam traumatismo craniano, um grave ferimento no rosto e marcas compatíveis com chicotadas.

Durante coletiva de imprensa, a Polícia Civil informou que a quantidade e a gravidade das lesões foram determinantes para a prisão em flagrante do sargento pelo crime de feminicídio.

Agora, os investigadores aguardam a conclusão dos exames periciais que irão apontar a causa exata da morte e ajudarão a reconstruir a dinâmica dos acontecimentos.

Versão apresentada pelo sargento

Em depoimento, Eduardo Abner afirmou que o casal havia promovido uma confraternização em casa na noite anterior ao crime.

Segundo ele, após a saída dos convidados, os dois consumiram bebidas alcoólicas e comprimidos de ecstasy.

O militar declarou ainda que manteve relações sexuais consensuais com Michele envolvendo práticas de dominação e agressões físicas. Também alegou que, durante a madrugada, ela teria caído da escada, sofrido um ferimento na cabeça e recusado atendimento médico.

Ainda conforme seu relato, horas depois encontrou a esposa desacordada e decidiu levá-la ao hospital.

Essa versão, entretanto, é confrontada pela investigação e será analisada à luz das provas técnicas produzidas pela perícia.

Família relata histórico de violência psicológica

Durante as investigações, a mãe da capitã revelou à Polícia Civil que a filha vivia um relacionamento marcado por humilhações e comportamentos abusivos.

Segundo o depoimento, Michele desejava colocar fim ao casamento, mas o marido não aceitava a separação.

Essas informações passaram a integrar o conjunto de elementos analisados pela polícia para compreender o contexto em que ocorreu o crime.

Droga foi encontrada no hospital

Outro fato chamou a atenção dos investigadores durante o atendimento da ocorrência.

Enquanto estava no hospital, um policial militar flagrou o sargento descartando uma caixa contendo 18 comprimidos de ecstasy em uma lixeira do banheiro da unidade.

A substância foi apreendida, e, além da acusação de feminicídio, Eduardo Abner também passou a responder por tráfico de drogas.

A Polícia Civil continua reunindo provas, ouvindo testemunhas e aguardando os laudos periciais que poderão esclarecer definitivamente todas as circunstâncias da morte da capitã.

A despedida de Michele Leão Azevedo acontece cercada por dor, mas também por um sentimento coletivo de busca por justiça. Sua morte ultrapassa os limites de uma tragédia familiar e se transforma em mais um doloroso retrato da violência que continua vitimando mulheres em todo o país. Que a investigação alcance toda a verdade e que o caso sirva como um permanente lembrete da importância de combater, denunciar e interromper qualquer forma de violência antes que ela tenha um desfecho irreversível.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Metrópoles

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