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Socorristas correm contra o tempo para encontrar 111 desaparecidos em Cali, na Colômbia

Mais de 1.800 profissionais participam das buscas após terremoto de magnitude 7,4; 96 pessoas morreram e outras 1.224 ficaram feridas.

Entre escombros, silêncio e a esperança de ouvir qualquer sinal de vida, equipes de resgate enfrentam uma corrida contra o tempo em Cali, na Colômbia. Ao menos 111 pessoas continuam desaparecidas após o terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país na segunda-feira (10).

Segundo a prefeitura de Cali, seis frentes de trabalho estão concentradas em pontos onde ainda existem sinais de possíveis sobreviventes. Mais de 1.800 socorristas participam das buscas, enquanto familiares aguardam notícias em meio à destruição provocada pelo tremor, considerado pelas autoridades o maior registrado no país na última década.

Janela de sobrevivência preocupa equipes

O prefeito de Cali, Alejandro Eder, afirmou que os socorristas correm contra o tempo diante da aproximação do fim da chamada janela de 72 horas, período considerado fundamental para localizar pessoas soterradas com vida.

As primeiras 48 a 72 horas após um terremoto são conhecidas como a “janela de ouro” dos resgates. Depois desse período, as possibilidades de sobrevivência tendem a diminuir, principalmente pela falta de água, embora fatores como o estado de saúde, os ferimentos e as condições encontradas nos escombros possam alterar significativamente esse cenário.

Dezenas de prédios desabaram

O terremoto deixou um cenário de destruição em diferentes pontos da cidade. Pelo menos 45 edifícios foram completamente destruídos e outros 18 receberam ordem de evacuação, segundo dados da prefeitura.

Até o momento, cerca de 88 pessoas foram retiradas com vida dos escombros. Mais de seis mil toneladas de entulho já foram removidas pelas equipes que atuam na operação.

Em 20 pontos onde os socorristas avaliaram que não há mais possibilidade de encontrar sobreviventes, os trabalhos de retirada dos escombros devem começar.

“Regra dos quatro” orienta buscas

Algumas equipes utilizam durante as operações a chamada “regra dos quatro”, uma referência que considera que uma pessoa soterrada poderia sobreviver aproximadamente quatro minutos sem ar, quatro dias sem água e até quatro semanas sem comida.

Apesar disso, os especialistas ressaltam que não existe um prazo único para a sobrevivência. As condições do local, a existência de bolsões de ar, o tipo de ferimento e o estado físico da vítima podem fazer toda a diferença.

É justamente por isso que, mesmo diante do avanço das horas, os socorristas continuam vasculhando os locais onde há qualquer possibilidade de encontrar alguém com vida.

Governo anuncia ajuda às famílias

Diante da dimensão da tragédia, o governo colombiano anunciou medidas de apoio às pessoas atingidas. Entre as iniciativas estão subsídios para aluguel destinados a famílias que perderam suas casas, auxílio financeiro para os mais vulneráveis e mecanismos de suporte para comerciantes e pequenos empresários afetados pelo terremoto.

Enquanto máquinas retiram toneladas de concreto e equipes trabalham cuidadosamente entre estruturas destruídas, dezenas de famílias ainda esperam por uma notícia que pode mudar tudo. Em meio a uma cidade ferida pela força da natureza, cada minuto de busca representa também uma possibilidade de reencontro e mantém viva a esperança de que mais pessoas possam voltar para casa.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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