Senador Carlos Viana busca assinaturas para investigar suposta atuação do filho de Lula junto ao governo e solicita a André Mendonça proteção de arquivos e evidências digitais.
A pressão política em torno das investigações que envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, ganhou força nesta quinta-feira (20). Enquanto o caso avança no Supremo Tribunal Federal, a oposição tenta abrir uma nova frente de apuração no Congresso e, ao mesmo tempo, pede que provas digitais relacionadas à investigação sejam preservadas.
O movimento é liderado pelo senador Carlos Viana (PSD-MG), que presidiu a CPMI do INSS. O parlamentar começou a buscar assinaturas de deputados e senadores para criar uma nova comissão destinada a investigar a atuação de Lulinha e, paralelamente, encaminhou ao ministro André Mendonça, do STF, um pedido para aprofundar as apurações e garantir a preservação de possíveis provas digitais.
Nova CPMI mira relações com órgãos do governo
A proposta de Viana pretende investigar uma eventual intermediação de interesses privados por Lulinha junto a órgãos do Executivo. Entre os pontos citados estão possíveis tratativas relacionadas a medicamentos à base de canabidiol, a atuação da lobista Roberta Luchsinger e as relações envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, além de empresas ligadas às investigações.
O senador quer esclarecer se teriam ocorrido pagamentos ou promessas de vantagens em troca de intermediações, quais autoridades ou órgãos públicos teriam sido procurados e se houve eventual utilização indevida de relações pessoais ou de acesso privilegiado à estrutura do governo.
Para que uma CPMI seja instalada, são necessárias pelo menos 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores, o equivalente a um terço dos integrantes de cada Casa. Depois disso, caberá ao presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), avaliar os procedimentos para a instalação.
Oposição tenta novamente levar Lulinha ao centro das investigações
Esta não é a primeira tentativa de colocar o nome de Lulinha no centro dos trabalhos do Congresso. No fim de março, o relatório da CPMI do INSS, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), chegou a defender o indiciamento do empresário, mas a proposta foi rejeitada pelo colegiado.
Agora, a oposição retoma a ofensiva com uma comissão específica, em um momento de forte repercussão política das investigações envolvendo o filho mais velho do presidente Lula.
O caso também passou a ser acompanhado de perto pelo cenário eleitoral. Análises políticas apontam que as denúncias envolvendo Lulinha podem produzir desgaste para o presidente e influenciar o comportamento de eleitores indecisos, especialmente à medida que novas informações das investigações são divulgadas.
Pedido ao STF mira preservação de provas digitais
Além da movimentação no Congresso, Carlos Viana apresentou a André Mendonça um complemento a uma representação criminal protocolada anteriormente. O pedido menciona reportagem da revista Veja que teria tido acesso a informações de um inquérito sigiloso da Polícia Federal.
Entre as medidas solicitadas estão a preservação de arquivos, imagens forenses, metadados e registros relacionados à cadeia de custódia das provas. A preocupação apresentada pelo senador envolve mensagens atribuídas a Lulinha que teriam sido apagadas e posteriormente recuperadas por ferramentas utilizadas pela Polícia Federal.
Viana também pede que sejam aprofundadas as apurações sobre possíveis fluxos financeiros e eventual interesse relacionado a contas no exterior.
Três inquéritos estão sob investigação no STF
Atualmente, Lulinha é investigado em três inquéritos autorizados pelo Supremo desde julho. As apurações envolvem suspeitas de favorecimento de empresas junto a órgãos federais, entre eles o Ministério da Saúde e a Dataprev.
Um dos procedimentos, mantido sob sigilo, também alcança o Palácio do Planalto e investiga possíveis conexões entre Roberta Luchsinger, Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que foi chefe de gabinete do presidente Lula.
A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade e critica o que classifica como vazamentos seletivos de informações das investigações.
O episódio ainda está longe de chegar a uma conclusão. Entre pedidos de preservação de provas, articulações no Congresso e investigações sob sigilo, o caso ganha novas camadas a cada movimento. Agora, caberá às instituições esclarecer os fatos com base em provas e dentro do devido processo, enquanto o país acompanha, atento, mais um capítulo de uma investigação que já ultrapassou os limites do Judiciário e chegou ao centro do debate político nacional.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Folha – Uol













