Magistrado considerou que não havia motivo para suspender a sondagem e destacou que pesquisas eleitorais são instrumentos de informação e fazem parte do debate democrático.
Em meio a uma disputa cada vez mais acirrada pelo Governo de Rondônia, os números das pesquisas passaram a ocupar um espaço estratégico nas campanhas. Nesta terça-feira (8), a Justiça Eleitoral decidiu garantir a divulgação da oitava rodada da pesquisa do Instituto Phoenix, após advogados do candidato Adailton Fúria (PSD) tentarem impedir que os resultados fossem publicados pela imprensa.
O pedido de liminar foi negado pelo juiz Audarzean Santana da Silva. Na decisão, o magistrado ressaltou que pesquisas de opinião pública representam uma importante fonte de informação para o eleitor e integram o próprio ambiente do debate eleitoral e democrático, protegido pelas garantias constitucionais de liberdade de expressão e de informação.
Justiça diferencia casos e mantém pesquisa Phoenix
A decisão ocorre poucos dias depois de a Justiça Eleitoral determinar a divulgação de outra pesquisa, do Instituto Veritá, diante de indícios de irregularidades identificados nos questionários. No caso da Phoenix, entretanto, o entendimento foi diferente.
Segundo o magistrado, não havia fundamento para uma suspensão imediata da divulgação. A decisão considerou ainda que a Justiça Eleitoral não poderia antecipar uma intervenção antes do encerramento do prazo regulamentar previsto para análise da pesquisa.
Na avaliação do juiz, suspender os números antes do término desse período significaria interferir prematuramente no processo eleitoral e retirar dos responsáveis pela pesquisa um prazo expressamente assegurado pelas regras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Com a decisão, os resultados da oitava rodada do Instituto Phoenix permanecem disponíveis para conhecimento público, permitindo que partidos, candidatos e principalmente os eleitores acompanhem o cenário da corrida ao Palácio Rio Madeira.
Marcos Rogério segue na frente, mas disputa está tecnicamente embolada
A pesquisa ouviu 1.123 eleitores entre os dias 3 e 5 de setembro, em 13 municípios de Rondônia. Com margem de erro de 2,9 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, os números mostram uma disputa apertada na parte de cima da tabela.
O senador Marcos Rogério (PL) aparece numericamente na liderança, com 24,31% das intenções de voto. Hildon Chaves (UP) registra 21,73%, enquanto Adailton Fúria (PSD) aparece com 17,36%.
Considerando a margem de erro, os três candidatos estão tecnicamente empatados, embora Marcos Rogério ainda mantenha a dianteira numérica.
Na sequência aparecem Pedro Abib (MDB), com 7,66%; Expedito Netto, com 5,70%; e Samuel Costa (PSB), com 4,90%. Os eleitores indecisos somam 11,58%, enquanto brancos e nulos representam 6,77%.
Hildon cresce e dispara na capital
É em Porto Velho, maior colégio eleitoral do Estado, que Hildon Chaves apresenta seu melhor desempenho. Na capital, o ex-prefeito lidera o cenário pesquisado com 35,2% das intenções de voto.
Marcos Rogério aparece em segundo, com 14,7%. Pedro Abib soma 10,7%, enquanto Adailton Fúria registra 9,5%.
O resultado ajuda a explicar o crescimento de Hildon no levantamento estadual. Com dois mandatos à frente da Prefeitura de Porto Velho, o candidato tem concentrado esforços na capital e ampliado sua presença nas redes sociais, além de buscar uma postura considerada mais leve durante a campanha.
A estratégia também passou a explorar uma imagem mais descontraída, especialmente depois dos primeiros debates. Hildon reconheceu que não teve bom desempenho em participações na Band e na Rema TV e relacionou parte das dificuldades às cinco infecções por Covid-19 que afirmou ter enfrentado durante o período em que esteve na linha de frente da pandemia.
A postura mais espontânea ajudou a consolidar o apelido de “Tiozão”, que passou a ser incorporado à comunicação da campanha e, na avaliação de aliados, aproximou o candidato de parte do eleitorado.
Marcos Rogério enfrenta cobranças e Fúria tenta se descolar do Governo
Enquanto Hildon tenta transformar sua força na capital em crescimento no interior, Marcos Rogério enfrenta cobranças sobre temas que acompanham sua trajetória política. Entre elas estão questionamentos feitos durante a pré-campanha relacionados ao posicionamento do senador diante de questões como o pedágio e os aumentos nas tarifas de energia elétrica em Rondônia.
Adailton Fúria, por sua vez, enfrenta outro tipo de desafio. O candidato tenta construir uma identidade própria dentro da disputa, ao mesmo tempo em que procura se afastar politicamente do governador Marcos Rocha, presidente estadual do PSD, que declarou apoio à candidatura de Fúria.
A relação entre os dois grupos tem sido explorada nos debates, especialmente por Samuel Costa, que questionou Fúria sobre os apoios políticos ligados ao Governo. O candidato tem negado qualquer vínculo político com o grupo de Marcos Rocha, numa tentativa de apresentar uma candidatura independente.
A estratégia, entretanto, não elimina as tensões dentro do próprio ambiente governista. A campanha também sofreu um revés recente com a saída do marqueteiro João Kaleche, após um desentendimento com Fúria, episódio que alimentou avaliações sobre os rumos da comunicação do candidato nesta reta decisiva.
Pesquisa entra em uma fase cada vez mais estratégica
Com a campanha avançando e os números mostrando uma diferença pequena entre os três primeiros colocados, cada movimento ganha peso. A televisão, o rádio, as redes sociais e os debates passaram a ser utilizados não apenas para apresentar propostas, mas também para tentar modificar percepções e conquistar o eleitor que ainda não decidiu seu voto.
Os 11,58% de indecisos representam um contingente significativo diante de uma disputa em que os principais candidatos aparecem separados por poucos pontos. É justamente nesse eleitorado ainda aberto a mudanças que as campanhas devem concentrar boa parte dos próximos esforços.
A pesquisa Phoenix, portanto, mais do que registrar uma fotografia do momento, revela uma eleição ainda em movimento. Marcos Rogério continua numericamente na frente, Hildon Chaves mostra força principalmente na capital e Adailton Fúria permanece competitivo. Com o relógio eleitoral avançando, a disputa pelo Governo de Rondônia entra em uma fase em que qualquer ponto conquistado ou perdido pode mudar o desenho da corrida.
Registro da pesquisa: 02620-2026
Período: 3 a 5 de setembro de 2026
Amostra: 1.123 entrevistados
Nível de confiança: 95%
Margem de erro: 2,9 pontos percentuais para mais ou para menos
Contratante: ABC Publicidade Ltda Universo
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













