Home / Politica / Lula diz não ter indicado Moraes, mas elogia atuação do ministro em defesa da democracia

Lula diz não ter indicado Moraes, mas elogia atuação do ministro em defesa da democracia

Presidente afirmou que ministro prestou “grandes serviços” ao país quando presidiu o TSE e defendeu que eventuais erros sejam apurados com direito de defesa.

Em meio à crise que envolve o Supremo Tribunal Federal (STF) e as relações do ministro Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (16) que não foi responsável pela indicação do magistrado à Corte, mas destacou a atuação de Moraes à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante as eleições de 2022.

Em entrevista ao podcast Desce a Letra, Lula disse que Moraes “prestou grandes serviços à democracia brasileira” ao comandar o TSE e relembrou o cenário eleitoral daquele ano. Segundo o presidente, o ministro esteve à frente da Justiça Eleitoral quando ele venceu a eleição presidencial e durante os episódios de contestação ao sistema eletrônico de votação.

“Ele foi presidente do TSE quando ganhei as eleições e ele sabe, o Brasil sabe, a tentativa que o Bolsonaro fez para destruir a credibilidade das urnas brasileiras”, afirmou.

Lula defende investigação com direito de defesa

A declaração ocorreu um dia depois de uma sessão extraordinária do STF que analisou o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino.

Durante a sessão, os ministros também discutiram se os casos envolvendo Moraes e André Mendonça deveriam ser analisados conjuntamente. A votação preliminar terminou em 4 a 3 pela tramitação separada, mas a manifestação de Dino ficou pendente após o pedido de vista.

Ao comentar o episódio, Lula afirmou que qualquer pessoa que tenha cometido algum erro deve ser submetida à apuração, mas ressaltou a necessidade de um julgamento justo.

“Todo mundo que cometeu erro, em qualquer área, tem que ser julgado. O que eu defendo é um julgamento justo”, declarou.

O presidente também afirmou que esse princípio deveria valer inclusive para integrantes do próprio STF.

Críticas a Flávio Bolsonaro

Durante a entrevista, Lula ainda comentou as críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) a Alexandre de Moraes. O presidente afirmou que existe uma “obsessão” do grupo político ligado ao senador em relação ao ministro e associou as divergências aos processos que atingiram Jair Bolsonaro e outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro.

Segundo Lula, a insatisfação de Flávio com Moraes estaria relacionada à atuação do ministro nos processos que resultaram na prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de envolvidos nos ataques às instituições.

O presidente também questionou a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e defendeu que eventuais acusações e suspeitas sejam esclarecidas pelas autoridades responsáveis.

Distanciamento da indicação

Lula fez questão de destacar que não era presidente quando Alexandre de Moraes foi indicado para o STF. Moraes chegou à Corte em 2017, após ser indicado pelo então presidente Michel Temer.

Apesar de procurar se desvincular da escolha de Moraes para o Supremo, Lula voltou a reconhecer a atuação do ministro durante as eleições de 2022, período em que o TSE esteve no centro das discussões sobre a segurança e a credibilidade das urnas eletrônicas.

A declaração acontece em um momento de forte tensão dentro do STF, após uma sessão que expôs divergências entre os próprios ministros e terminou sem uma definição sobre os próximos passos da apuração envolvendo Moraes. O pedido de vista de Flávio Dino mantém o caso em aberto e adia uma conclusão sobre o tema.

Mais do que uma disputa entre nomes e grupos, o episódio coloca novamente no centro do debate a necessidade de transparência, respeito ao devido processo e segurança jurídica. Em meio às divergências que atravessam o Supremo e ao ambiente eleitoral de 2026, cada nova manifestação política sobre o caso aumenta a atenção em torno de uma crise que ainda está longe de chegar ao seu desfecho.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *