Presidente da Corte e ministra articulam conversas para conter desgaste após sessão marcada por confrontos, mas integrantes dos dois grupos não veem ambiente para uma composição.
Depois de uma das sessões mais tensas dos últimos tempos no Supremo Tribunal Federal (STF), o esforço agora é para tentar baixar a temperatura dentro da Corte. O presidente Edson Fachin tem sugerido uma trégua aos ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, em uma tentativa de impedir que os conflitos expostos no plenário avancem ainda mais e atinjam o ambiente institucional durante o processo eleitoral deste ano.
Segundo relatos obtidos pela CNN, a iniciativa conta também com a participação da ministra Cármen Lúcia. Os dois devem buscar diálogo com outros integrantes do Supremo ao longo desta semana, entre eles Flávio Dino, Gilmar Mendes e Luiz Fux, depois do bate-boca ocorrido durante a sessão de terça-feira (15), que discutia a possibilidade de abertura de investigação envolvendo Moraes.
Tentativa de conter a crise
A movimentação de Fachin e Cármen ocorre em meio a um cenário de forte desgaste interno. Integrantes dos grupos ligados a Moraes e Mendonça, porém, demonstram ceticismo em relação à possibilidade de uma trégua imediata.
Segundo relatos de ministros, a sessão de terça-feira ampliou o constrangimento dentro da Corte e deixou mais evidentes as divergências entre os magistrados. A avaliação nos bastidores é de que novos episódios de críticas e provocações ainda podem ocorrer durante as próximas sessões do plenário e das turmas.
Nesse cenário, alguns integrantes do Supremo consideram que somente a passagem do tempo poderá contribuir para reduzir os ânimos e criar espaço para uma retomada do diálogo.
Sessão aberta expôs divergências
Antes da sessão de terça-feira, Fachin teria sido alertado de que levar o julgamento para uma transmissão pública poderia acabar evidenciando ainda mais as divisões internas do Supremo.
O presidente da Corte, porém, avaliou que a realização do julgamento aberto seria importante como medida de transparência, especialmente diante dos indícios envolvendo magistrados e uma possível relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A sessão, no entanto, acabou concentrando grande parte das atenções nas divergências entre os próprios ministros. Durante horas, os debates sobre os ritos processuais se sobrepuseram à análise dos elementos que deram origem ao procedimento.
Críticas à condução do STF
Nos bastidores, ministros mais experientes avaliaram que a sessão aberta não conseguiu resolver o impasse institucional e tampouco produziu avanço significativo na investigação discutida pelo plenário.
O episódio também reacendeu críticas públicas ao Supremo justamente em um momento de elevada exposição política. A proximidade das eleições de 2026 aumenta a preocupação de integrantes da Corte com os efeitos que novos conflitos entre ministros podem produzir sobre a percepção da instituição.
A tentativa de aproximação entre Fachin e Cármen, portanto, ocorre em um ambiente no qual ainda permanecem abertas as feridas provocadas pelo confronto de terça-feira. De um lado, há o esforço para preservar o funcionamento institucional da Corte. Do outro, permanecem divergências profundas sobre a condução dos processos e sobre a atuação dos próprios ministros.
O desafio agora vai além de encerrar um episódio específico. O Supremo precisa administrar uma crise que deixou de estar restrita aos autos e ganhou as câmeras, as redes sociais e o debate público. Enquanto Fachin e Cármen buscam reconstruir o diálogo, os próximos julgamentos mostrarão se a tentativa de trégua será suficiente para devolver ao plenário a serenidade necessária para que decisões de tamanha relevância sejam discutidas com o foco voltado aos processos, e não aos conflitos entre seus protagonistas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













