Presidente afirmou que chefe do STF deve evitar que crise envolvendo o Banco Master influencie o processo eleitoral e voltou a criticar Flávio Bolsonaro.
A crise envolvendo o Banco Master e as divergências dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) chegaram novamente ao centro do discurso eleitoral nesta quarta-feira (16). Em entrevista ao podcast Desce a Letra, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou que o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, tem a responsabilidade de impedir que o caso interfira nas eleições de 2026.
“O presidente Fachin tem a responsabilidade de fazer com que isso não atrapalhe o processo eleitoral”, declarou Lula. Na avaliação do presidente, o Banco Master foi criado durante o governo de Jair Bolsonaro, quando Roberto Campos Neto, indicado pelo então presidente, comandava o Banco Central.
A manifestação ocorreu um dia depois de uma sessão extraordinária do STF que analisou o relatório da Polícia Federal sobre mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master. A discussão foi interrompida após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Lula volta a citar Flávio Bolsonaro
Durante a entrevista, Lula também direcionou críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seu principal adversário na disputa presidencial. O presidente afirmou que o candidato teria como objetivo principal atingir Alexandre de Moraes e disse que as críticas não estariam relacionadas apenas às investigações envolvendo o Banco Master.
Segundo Lula, a postura de Flávio estaria relacionada aos processos que atingiram seu pai, Jair Bolsonaro, e outros investigados pelos atos de 8 de janeiro. O presidente também mencionou a atuação de Moraes em investigações relacionadas ao assassinato de Marielle Franco.
As declarações fazem parte de uma disputa política que ganhou novo espaço durante a campanha eleitoral, enquanto o STF analisa diferentes procedimentos relacionados ao Banco Master e às relações de Vorcaro com integrantes do meio político.
Caso Dark Horse está sob investigação
Lula também questionou o financiamento do filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, e afirmou que Flávio deveria explicar os recursos relacionados à obra.
O senador é investigado pelo STF desde julho em um inquérito autorizado pelo ministro André Mendonça, após pedido da Polícia Federal e manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR). A apuração busca esclarecer os repasses relacionados ao financiamento do filme e possíveis conexões com Daniel Vorcaro.
Documentos da PF e da PGR que tiveram parte do sigilo retirado apontam que Flávio teria atuado como interlocutor nas negociações de recursos para a produção. A investigação, porém, ainda está em andamento e as suspeitas apuradas não equivalem a uma conclusão sobre responsabilidade criminal. Flávio nega irregularidades.
Em resposta às acusações, Flávio afirmou nos últimos dias que a retirada do sigilo permitiu que os documentos fossem analisados publicamente e disse não ter identificado qualquer irregularidade envolvendo sua participação no projeto. O senador também declarou estar tranquilo em relação à investigação.
Lula volta a defender Moraes
Na mesma entrevista, o presidente voltou a falar sobre Alexandre de Moraes e destacou a atuação do ministro quando presidiu o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), durante as eleições de 2022.
“Ele prestou grandes serviços à democracia brasileira”, afirmou Lula, ao lembrar que Moraes comandava a Justiça Eleitoral quando ocorreu a eleição presidencial daquele ano.
O presidente também afirmou que não foi responsável pela indicação de Moraes ao STF. O ministro chegou à Corte em 2017, indicado pelo então presidente Michel Temer.
A declaração ocorre em um momento de forte tensão no Supremo, após a sessão de terça-feira expor divergências entre os ministros sobre a condução dos casos relacionados ao Banco Master. O pedido de vista de Flávio Dino adiou uma decisão sobre a possibilidade de análise conjunta de procedimentos envolvendo Moraes e André Mendonça.
Críticas a Eduardo Bolsonaro
Lula também mencionou o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, e afirmou que ele seria preso caso retornasse ao Brasil. O presidente chamou o comportamento do parlamentar de “traição à pátria” e fez críticas à família Bolsonaro.
As declarações ampliam o embate entre os dois principais campos da disputa presidencial justamente quando o caso Banco Master passou a ocupar espaço cada vez maior no debate eleitoral.
Com o STF ainda discutindo os próximos passos das investigações e os candidatos incorporando o episódio aos discursos de campanha, o caso deixa de ser apenas uma questão judicial e passa a integrar diretamente a disputa política de 2026. A forma como as instituições conduzirão as apurações, preservando o devido processo e distinguindo investigação de responsabilização, será determinante para que o debate público não se sobreponha à necessidade de esclarecimento dos fatos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Ricardo Stuckert/PR













