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Sob pressão, Mendonça reage a ataques e afirma: “Nada tenho a temer”

Ministro do STF diz ter sido alertado sobre represálias após levar adiante informações da PF sobre mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.

A crise que tomou conta do Supremo Tribunal Federal ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira (17), desta vez com uma manifestação direta do ministro André Mendonça. Em meio à escalada de tensão entre integrantes da Corte, o magistrado afirmou que já havia sido alertado sobre possíveis represálias caso levasse adiante informações recebidas da Polícia Federal e declarou que não tem “nada a temer”.

A declaração foi divulgada pelo gabinete de Mendonça e também enviada pessoalmente pelo ministro a alguns jornalistas por meio do WhatsApp. As informações mencionadas estão relacionadas a um relatório da Polícia Federal que registrou mensagens de Daniel Vorcaro para um número de telefone atribuído ao ministro Alexandre de Moraes. A apuração é da analista de Política da CNN Jussara Soares.

Mendonça diz ter sido alertado sobre ataques

Segundo Mendonça, os avisos ocorreram de maneira “implícita e explícita” e incluíam a possibilidade de ataques contra ele e pessoas próximas. O ministro afirmou que tinha conhecimento de que poderia enfrentar represálias ao decidir dar andamento às informações recebidas da Polícia Federal.

Na manifestação, Mendonça classificou as ofensivas como ataques “pessoais, injustos, ofensivos e insultantes”. O ministro também citou o filósofo alemão Arthur Schopenhauer ao afirmar que ataques pessoais podem ser utilizados como estratégia para tentar desqualificar quem diverge em um debate.

Apesar da pressão, Mendonça afirmou que continuará exercendo suas funções. “Nada tenho a temer”, declarou, acrescentando que seguirá cumprindo seu dever “com serenidade e responsabilidade”.

Operação da PF aumenta tensão

O ambiente de conflito também envolve uma operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra o deputado Cezinha de Madureira, apontado como próximo de Mendonça. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino e ocorreu em meio ao agravamento dos embates dentro do Supremo.

A tensão entre Dino e Mendonça ficou evidente durante a sessão de terça-feira (15), quando os dois ministros protagonizaram um confronto público. No mesmo período, Gilmar Mendes publicou críticas direcionadas a Mendonça, que respondeu posteriormente.

O cenário se tornou ainda mais delicado depois que Mendonça, relator do caso envolvendo o Banco Master, levantou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que identificava mensagens atribuídas a Vorcaro e Moraes. A decisão colocou no centro do debate a relação entre o ministro do Supremo e o ex-banqueiro e ampliou a crise interna na Corte.

Sessão do STF é cancelada em meio à crise

A escalada dos conflitos também teve reflexos na agenda do Supremo. O presidente da Corte, Edson Fachin, determinou o adiamento de uma sessão que estava prevista para esta quinta-feira (17), em um movimento que ocorreu após os confrontos públicos entre os ministros.

A decisão veio depois de uma sessão marcada por acusações e divergências entre integrantes do tribunal. A CNN informou que, nos bastidores, existe preocupação com a possibilidade de novos encontros do colegiado serem marcados por embates ainda mais intensos.

Crise expõe divisão entre ministros

O episódio revela uma fase especialmente delicada para o Supremo, com divergências que deixaram os bastidores e passaram a ocupar o plenário e o debate público. Além das discussões relacionadas ao caso Banco Master, os ministros passaram a trocar críticas de forma aberta, ampliando a dimensão política e institucional da crise.

Ao afirmar que não pretende recuar diante das pressões, Mendonça sinaliza que o embate dentro da Corte ainda está longe de chegar ao fim. Para o Supremo, os próximos passos serão acompanhados não apenas pelos ministros envolvidos, mas também por uma sociedade que observa, com atenção crescente, os limites de uma disputa que já ultrapassou as paredes do tribunal.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Agência Pública

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