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Ronaldo Fenômeno chega aos 50 anos e revive capítulos de uma carreira inesquecível

Da promessa que surgiu no Cruzeiro ao bicampeonato mundial com o Brasil, R9 construiu uma trajetória marcada por talento, títulos, lesões e uma das maiores histórias de superação do futebol.

Há jogadores que fazem história dentro de campo. Outros conseguem transformar a própria trajetória em parte da memória afetiva de gerações inteiras. Ronaldo Nazário, o eterno Ronaldo Fenômeno, pertence a esse segundo grupo. Nesta sexta-feira (18), ao completar 50 anos, o ex-atacante celebra uma vida marcada por gols, títulos, grandes clubes e momentos que ajudaram a escrever capítulos inesquecíveis do futebol brasileiro e mundial.

Poucos atacantes reuniram, na mesma proporção, velocidade, força física, técnica, inteligência e capacidade de improvisação. O camisa 9 que encantou torcedores desde os primeiros anos de carreira atravessou momentos de glória e também enfrentou algumas das lesões mais difíceis que um jogador de futebol pode suportar. Ainda assim, voltou aos gramados e conseguiu alcançar novamente o topo.

Do Cruzeiro ao bicampeonato mundial

Ronaldo foi revelado pelo Cruzeiro em 1993. Ainda muito jovem, conquistou a Copa do Brasil daquele ano e o Campeonato Mineiro de 1994, despertando rapidamente a atenção do futebol brasileiro.

O talento apresentado pelo atacante foi suficiente para colocá-lo no radar da Seleção. Antes mesmo de completar 18 anos, Ronaldo foi convocado pelo técnico Carlos Alberto Parreira para integrar o grupo que conquistaria a Copa do Mundo de 1994, nos Estados Unidos.

Embora não tenha entrado em campo durante a campanha do tetracampeonato, a experiência seria apenas o primeiro capítulo de uma relação histórica com a Seleção Brasileira.

Ronaldo disputou 105 partidas pelo Brasil e marcou 67 gols. Entre eles estão dois dos mais importantes de sua carreira. Em 30 de junho de 2002, na final da Copa do Mundo da Coreia do Sul e do Japão, o atacante marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 sobre a Alemanha e colocou seu nome definitivamente na história do futebol brasileiro.

Além dos títulos mundiais de 1994 e 2002, Ronaldo conquistou as Copas América de 1997 e 1999 e a Copa das Confederações de 1997.

Também disputou as Copas do Mundo de 1998, na França, e 2006, na Alemanha. Durante parte de sua trajetória, chegou a ser o maior artilheiro da história da competição, com 15 gols.

O surgimento do “Fenômeno”

Depois de chamar atenção no Cruzeiro, Ronaldo seguiu para o PSV, da Holanda, onde atuou até 1996. Em seguida, desembarcou no Barcelona e iniciou uma trajetória pelos grandes clubes europeus.

O atacante também vestiu as camisas de Inter de Milão, Real Madrid e Milan. Foi justamente durante sua passagem pela Inter que surgiu o apelido que o acompanharia pelo restante da carreira.

Em 1997, a imprensa italiana passou a chamá-lo de “Fenômeno”, em referência ao estilo explosivo, à velocidade e à facilidade para marcar gols. O nome rapidamente ultrapassou as fronteiras da Itália e se tornou uma das marcas mais conhecidas do futebol mundial.

A lesão que poderia ter encerrado tudo

A carreira de Ronaldo também foi marcada por momentos de enorme dificuldade. Em 2000, uma grave lesão no joelho durante uma partida pela Inter de Milão colocou em dúvida a continuidade de sua trajetória.

O episódio chocou o mundo do futebol e exigiu uma longa recuperação. Depois de cirurgias e meses afastado dos gramados, muitos passaram a questionar se o atacante conseguiria voltar a atuar em alto nível.

Ronaldo voltou.

Dois anos depois, em 2002, o atacante estava novamente com a camisa da Seleção Brasileira e foi protagonista na conquista do pentacampeonato mundial. Com oito gols, terminou a Copa como artilheiro e comandou o Brasil na conquista do título.

A imagem daquele jogador que havia passado por uma das fases mais difíceis da carreira e voltou a levantar a taça do mundo se tornou um dos símbolos mais fortes de sua trajetória.

O corte de cabelo que virou símbolo

Durante a Copa do Mundo de 2002, Ronaldo também protagonizou um dos episódios mais curiosos da competição. Às vésperas da semifinal contra a Turquia, apareceu com um corte de cabelo que ficou conhecido como “Cascão”.

O visual chamou imediatamente a atenção da imprensa e dos torcedores. Anos depois, o próprio Ronaldo explicou que havia uma razão estratégica por trás da mudança.

À época, o atacante estava incomodado com uma lesão muscular e decidiu cortar o cabelo na concentração. A repercussão acabou desviando a atenção de seu problema físico e criou um novo assunto antes da partida decisiva.

“Eu fui para o treino e acabou chamando muita atenção aquele corte de cabelo”, relembrou Ronaldo em entrevista à CNN Brasil.

Segundo o ex-jogador, a intenção era justamente fazer com que a imprensa e a equipe adversária deixassem de concentrar a atenção em sua condição física.

O retorno ao Brasil e a passagem pelo Corinthians

Depois de 14 anos atuando no futebol estrangeiro, Ronaldo voltou ao Brasil para defender o Corinthians. O acerto foi anunciado em dezembro de 2008, quando o atacante ainda se recuperava de mais uma cirurgia no joelho.

Três dias depois do anúncio, Ronaldo foi recebido com uma grande festa no Parque São Jorge e assinou contrato com o clube.

Foram dois meses de preparação física até o retorno aos gramados. Quando finalmente voltou a jogar, o Fenômeno mostrou novamente sua capacidade de decidir partidas.

No Campeonato Paulista, marcou oito gols em dez jogos. Entre os momentos mais marcantes estavam os gols contra Palmeiras, São Paulo e Santos.

O primeiro deles, contra o Palmeiras, ficou marcado não apenas pelo gol, mas pela cena que veio depois. Aos 47 minutos do segundo tempo, Ronaldo subiu para cabecear e garantiu o empate do Corinthians. Na comemoração, a força da festa foi tamanha que o alambrado do estádio cedeu.

Foi uma imagem que sintetizou aquele retorno: depois de tantas lesões, dúvidas e períodos longe dos gramados, Ronaldo estava novamente ali, diante de milhares de torcedores, decidindo uma partida e celebrando como nos tempos em que parecia impossível pará-lo.

Uma carreira que atravessou gerações

Aos 50 anos, Ronaldo Fenômeno carrega uma trajetória que vai muito além dos números. O menino que surgiu no Cruzeiro se transformou em campeão mundial, artilheiro, ídolo de grandes clubes e personagem de momentos que permanecem vivos na memória de quem acompanhou sua carreira.

Entre gols, troféus, cirurgias, recomeços e histórias que ultrapassaram o futebol, Ronaldo construiu uma trajetória marcada pela capacidade de retornar quando muitos já duvidavam. E talvez seja justamente essa mistura de genialidade e resiliência que explique por que, décadas depois dos primeiros dribles, o nome Ronaldo Nazário ainda desperta lembranças tão fortes em quem viu o Fenômeno jogar. Há carreiras que terminam quando o jogador deixa os gramados. A dele, porém, continua sendo contada cada vez que uma geração lembra onde estava quando aquele camisa 9 fazia história.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/Instagram

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