Investigação aponta divisão de tarefas, cobrança mensal e uso clandestino de celular para transmitir ordens a integrantes do grupo.
Uma investigação que começou a revelar como o tráfico de drogas se organiza nos bastidores levou a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia (FICCO/RO) às ruas de Porto Velho nesta sexta-feira (18). O alvo foi um grupo criminoso suspeito de controlar pontos de venda de entorpecentes na zona leste da capital, distribuir funções entre integrantes e estabelecer cobranças mensais obrigatórias.
O que chama atenção no avanço das investigações é que parte da estrutura continuava funcionando mesmo a partir de dentro do sistema prisional. Segundo a apuração, ordens eram transmitidas clandestinamente por meio de um celular mantido dentro de uma unidade prisional, indicando que a comunicação do grupo ultrapassava os limites das ruas e chegava ao interior do presídio.
Cinco mandados de prisão foram cumpridos
A Operação Mirra cumpriu cinco mandados de prisão em Porto Velho. Deste total, quatro são de prisão temporária e um de prisão preventiva. As equipes também cumpriram três mandados de busca e apreensão.
As medidas foram autorizadas pela 2ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho e fazem parte da investigação sobre o comércio e a distribuição de drogas na zona leste da capital.
Investigação aponta estrutura organizada
Durante a apuração, os investigadores identificaram uma estrutura na qual os integrantes teriam funções previamente distribuídas. O grupo também seria responsável pelo controle de pontos utilizados para a comercialização de drogas e pela cobrança mensal de valores considerados obrigatórios.
De acordo com as informações reunidas pela FICCO/RO, a organização não se limitava à atuação de seus integrantes em liberdade. Parte da comunicação teria sido mantida a partir do sistema prisional, onde um aparelho celular era utilizado clandestinamente para transmitir orientações.
A descoberta levou à realização de revistas também dentro da unidade prisional, com apoio da Gerência Regional da Polícia Penal (GAPE). A medida busca identificar possíveis materiais relacionados ao funcionamento do esquema e esclarecer a participação de pessoas que possam ter auxiliado na comunicação.
Material apreendido será analisado
Os materiais recolhidos durante o cumprimento das ordens judiciais serão submetidos à análise e poderão contribuir para o aprofundamento da investigação. A partir dos elementos reunidos, os investigadores deverão buscar identificar a extensão da estrutura, a participação individual dos suspeitos e eventuais conexões com outros integrantes.
Os investigados poderão responder, conforme a participação atribuída a cada um, pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa.
A Operação Mirra reúne forças de diferentes instituições de segurança pública. A FICCO/RO é formada pela Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Militar e Secretaria Nacional de Políticas Penais.
Mais do que cumprir mandados, a operação busca interromper uma estrutura que, segundo a investigação, mantinha o controle sobre pontos de drogas e continuava recebendo orientações mesmo de dentro de uma unidade prisional. O avanço das apurações agora poderá revelar até onde chegava essa rede e quantas pessoas ainda estavam envolvidas em uma engrenagem que, segundo os investigadores, tentava manter suas atividades funcionando apesar das barreiras impostas pelo sistema de segurança.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













