Bombardeios atingem diferentes regiões, enquanto confronto com o Hezbollah desafia cessar-fogo frágil.
Em meio a um cenário já marcado por dor e incerteza, novos ataques reacendem o medo no Líbano. Famílias voltam a viver sob o som de explosões, enquanto a esperança de estabilidade parece cada vez mais distante. Nesta quarta-feira (6), ao menos seis pessoas morreram e outras três ficaram feridas após bombardeios atribuídos a Forças de Defesa de Israel, segundo informações da agência oficial libanesa.
Os ataques, de acordo com o Exército israelense, tiveram como alvo estruturas ligadas ao Hezbollah em diversas áreas do país. A ofensiva ocorreu após ordens de evacuação direcionadas a moradores de pelo menos 12 localidades, ampliando o clima de tensão inclusive fora da região tradicionalmente mais afetada, no sul.
Mortes fora da zona de conflito direto
Um dos episódios mais graves foi registrado na aldeia de Zellaya, no Vale do Beqaa, área que não integra o principal eixo dos combates recentes. Um ataque a uma residência matou o prefeito local e três membros de sua família, além de deixar outras pessoas feridas.
Já no distrito de Nabatiyah, no sul do país, outras duas mortes foram confirmadas. A dispersão geográfica dos ataques reforça o temor de ampliação do conflito para além das zonas já fragilizadas.
A imprensa internacional buscou posicionamento das forças israelenses sobre os alvos específicos, mas até o momento não houve detalhamento público sobre as operações em áreas fora do sul libanês.
Escalada mesmo com cessar-fogo
A nova onda de violência ocorre em meio a um cessar-fogo considerado instável, firmado em abril como parte de um esforço diplomático mais amplo envolvendo também Estados Unidos e Irã.
Apesar do acordo, os confrontos indiretos persistem. Apenas na terça-feira (5), o Hezbollah reivindicou 18 ataques contra forças israelenses, o maior número desde o início da trégua. Em resposta, Israel intensificou as operações militares.
O próprio Exército israelense confirmou que soldados foram alvo de foguetes e drones no sul do Líbano. Embora não haja relatos de vítimas graves nesse episódio específico, dois militares teriam sofrido ferimentos leves após explosões nesta quarta-feira.
Um conflito que não dá trégua à população
Desde o início das hostilidades, mais de 2.700 pessoas morreram e outras 8.300 ficaram feridas no Líbano, segundo o Ministério da Saúde do país. Números que não traduzem apenas estatísticas, mas histórias interrompidas, famílias desfeitas e um cotidiano marcado pelo medo.
Enquanto o Hezbollah exige a retirada total das forças israelenses do sul libanês, Israel mantém a posição de continuar as operações até neutralizar o que considera uma ameaça direta.
No meio desse impasse, quem mais sofre é a população civil. Em cada casa destruída, em cada vida perdida, cresce a sensação de que a paz ainda é uma promessa distante. E, mais uma vez, o mundo assiste a um conflito onde o silêncio das vítimas fala mais alto do que qualquer discurso político.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













