Aliados do senador afirmam que resultado divulgado nesta quarta-feira (15) destoa de pesquisas internas e de outros institutos; objetivo é entender o comportamento do eleitorado após sequência de desgastes políticos.
A divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest provocou uma reação imediata na pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (15), aponta o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, contra 37% de Flávio. O resultado foi recebido com “estranheza” pela equipe do parlamentar, que agora pretende aprofundar a análise do cenário eleitoral.
Nos bastidores, integrantes da pré-campanha iniciaram uma força-tarefa para avaliar os números apresentados pelo instituto. Segundo informações apuradas pela CNN, o grupo também prepara a realização de uma pesquisa qualitativa para identificar os fatores que podem estar influenciando o comportamento dos eleitores.
Objetivo é entender o eleitor
Diferentemente dos levantamentos quantitativos, que medem a intenção de voto, a pesquisa qualitativa busca compreender as percepções, emoções e motivações do eleitorado.
A estratégia permitirá à equipe de Flávio Bolsonaro avaliar se os recentes acontecimentos envolvendo o senador e aliados influenciaram a imagem do pré-candidato junto ao público.
Quaest aponta vantagem de Lula
Segundo a Genial/Quaest, Lula aparece com 45% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Flávio Bolsonaro registra 37%.
Na comparação com a pesquisa anterior, divulgada em junho, o presidente oscilou de 44% para 45%, enquanto o senador passou de 38% para 37%. As duas variações ocorreram dentro da margem de erro, estimada em dois pontos percentuais.
Sequência de desgastes
O levantamento foi divulgado em meio a uma série de episódios que atingiram a pré-campanha de Flávio Bolsonaro nas últimas semanas.
Entre eles está a divulgação de um áudio em que o senador pede recursos ao empresário Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Também vieram a público informações sobre divergências entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de declarações do aliado Paulo Figueiredo, que geraram repercussão ao afirmar que “mulher vota mal”.
No campo jurídico e político, operações da Polícia Federal atingiram aliados do PL, como o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Na semana passada, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o bloqueio de R$ 119 milhões em bens do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, no âmbito de investigação relacionada à indicação de emendas parlamentares.
Já nesta semana, outro episódio chamou atenção: o ministro Alexandre de Moraes proibiu Flávio Bolsonaro de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro por 90 dias, após o senador divulgar nas redes sociais uma carta manuscrita do pai, que cumpre prisão domiciliar humanitária.
Campanha cita outros levantamentos
Apesar do resultado desfavorável na Quaest, integrantes da equipe de Flávio afirmam, reservadamente, que o cenário apresentado pelo instituto difere tanto das pesquisas internas do PL quanto de levantamentos recentes divulgados por outras empresas.
A pesquisa Nexus/BTG, divulgada na última segunda-feira (13), apontou Lula com 47% e Flávio Bolsonaro com 44% em um eventual segundo turno.
Já o levantamento Futura/Apex, divulgado na terça-feira (14), mostrou um cenário de equilíbrio, com Lula registrando 46,3% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro 46,1%, diferença dentro da margem de erro.
Metodologia
A pesquisa Genial/Quaest ouviu 2.004 eleitores entre os dias 10 e 13 de julho, por meio de entrevistas presenciais realizadas em todo o país.
O levantamento possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, nível de confiança de 95% e foi contratado pelo Banco Genial. O estudo está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.
Com a campanha presidencial ainda em fase de pré-lançamento, pesquisas continuam oferecendo um retrato do momento político, sujeito a mudanças ao longo dos próximos meses. Para partidos e pré-candidatos, cada levantamento serve não apenas como indicador da corrida eleitoral, mas também como instrumento para ajustar estratégias e compreender as expectativas de um eleitorado que ainda pode mudar de posição até as urnas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













