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Caso Master: Flávio Bolsonaro volta ao centro das conexões com Vorcaro após revelação sobre jatinho

Reportagem da revista piauí revela que candidato viajou em janeiro de 2025 em aeronave que tinha empresa ligada a Daniel Vorcaro entre os cotistas; mesmo avião foi usado por Alexandre de Moraes meses depois.

A poucos dias da eleição presidencial, uma nova revelação sobre o caso Banco Master recolocou o nome de Flávio Bolsonaro no centro das atenções. Reportagem da revista piauí revelou que o candidato do PL à Presidência viajou, em janeiro de 2025, da Flórida para Brasília em um jatinho que tinha entre os cotistas uma empresa ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A aeronave é a mesma que, sete meses depois, transportou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

A revelação ganhou repercussão justamente em um momento de forte disputa eleitoral e reacendeu as discussões sobre as relações entre Flávio, Vorcaro e pessoas próximas aos dois. Durante o Live CNN desta quinta-feira (24), a analista de política Isabel Mega avaliou que a informação retira Flávio de uma espécie de zona de conforto no noticiário e amplia o espaço para que seus adversários explorem politicamente o episódio.

A viagem e a participação de Vorcaro

Segundo a apuração da piauí, Flávio viajou em 19 de janeiro de 2025, em um Legacy 650 de prefixo PP-NLR, que partiu de Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, com destino a Brasília. No voo estavam a mulher do candidato, Fernanda Bolsonaro, as duas filhas do casal e o advogado e empresário Willer Tomaz, amigo de Flávio.

Na época da viagem, a Prime You, empresa que tinha Daniel Vorcaro entre seus sócios, possuía um terço das cotas da aeronave. A empresa também era responsável pela operação do avião por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Segundo informações da própria companhia, Vorcaro foi sócio da Prime You de 2021 até setembro de 2025.

A propriedade formal do jatinho estava concentrada na Fraction 024 Administração de Bem Próprio S.A., dividida em três participações. Uma delas pertencia a Willer Tomaz, outra a Laércio Cosentino, fundador da TOTVS, e a terceira havia sido adquirida pela Prime, ligada a Vorcaro, no fim de 2024.

Um relatório da Polícia Federal citado pela piauí aponta que cada participação de 33,33% da aeronave era avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.

O mesmo avião usado por Moraes

A repercussão aumentou porque o Legacy 650 utilizado por Flávio em janeiro de 2025 é o mesmo avião que transportou Alexandre de Moraes e Viviane Barci de Moraes em agosto daquele ano, conforme havia sido revelado pelo jornal O Globo.

A coincidência passou a ser explorada também no discurso político, especialmente porque a utilização da aeronave pelo ministro já havia provocado questionamentos públicos sobre sua relação com Vorcaro. O escritório de Viviane Barci de Moraes afirmou que contratava serviços de táxi aéreo da Prime Aviation e que a escolha da aeronave cabia à empresa. Também informou que Vorcaro não estava nos voos realizados pelo casal.

Durante a análise no Live CNN, Isabel Mega destacou que o uso da aeronave por diferentes integrantes da política e do Judiciário evidencia, segundo sua avaliação, uma relação comercial que alcançava diversos segmentos do poder em Brasília.

Flávio reage com ironia

Após a publicação da reportagem, Flávio Bolsonaro confirmou a viagem e reagiu nas redes sociais em tom de ironia. O candidato afirmou que, naquele período, considerava que a aeronave pertencia ao amigo Willer Tomaz.

“Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes”, escreveu Flávio.

A manifestação, porém, não mencionou que uma das participações da aeronave estava ligada à Prime You, empresa que tinha Vorcaro como sócio naquele período.

Willer Tomaz também se manifestou. Em nota à CNN, afirmou que a viagem foi solicitada, organizada e integralmente custeada por ele. Segundo o advogado, ele detinha uma das três cotas da empresa proprietária do avião desde 2023 e somente em abril de 2026 teria descoberto que Vorcaro também havia adquirido participação na aeronave. Tomaz afirma ainda que, ao saber da participação, encerrou o contrato com a Prime You e passou a manter uma disputa judicial com a empresa. Ele nega conhecer Vorcaro e afirma que nunca teve negócios ou qualquer relação com o ex-banqueiro.

Relação com Willer Tomaz também entra no debate

O nome de Willer Tomaz acrescenta outro elemento à repercussão. O advogado e empresário é próximo de Flávio e foi alvo de investigações relacionadas às fraudes envolvendo aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele nega ser investigado.

A própria Isabel Mega destacou a presença de Tomaz no episódio como mais uma convergência entre os assuntos que envolvem o INSS e o Banco Master. A relação entre os dois também aparece em outros episódios: segundo a piauí, Flávio teria utilizado durante a campanha em São Paulo um apartamento pertencente a uma empresa de Tomaz. O imóvel havia sido comprado anteriormente de Fabiano Zettel, apontado como cunhado e operador financeiro de Vorcaro.

A conexão entre Flávio e Vorcaro também já havia aparecido em outras investigações jornalísticas. A CNN informou que, em dezembro de 2024, tratativas para um jantar entre Flávio, Jair Bolsonaro e Vorcaro foram mencionadas em conversas obtidas pela Polícia Federal. No início de 2025, também houve negociações envolvendo recursos de Vorcaro para o filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo a CNN, Flávio participou diretamente das tratativas.

Adversários aproveitam a repercussão

A nova revelação rapidamente entrou no debate eleitoral. O PT foi um dos primeiros a compartilhar a reportagem da piauí. O secretário de Comunicação do partido, Éden Valadares, publicou nas redes sociais uma provocação sobre a proximidade entre Flávio e Vorcaro.

“Onde começa o banqueiro e onde termina o candidato? Afinal, é Daniel Bolsonaro ou Flávio Vorcaro?”, escreveu.

Outros candidatos também passaram a explorar o episódio em seus discursos. Para Isabel Mega, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo), apesar de apresentarem menor expressão nas pesquisas, ainda possuem bases eleitorais que podem dificultar uma definição da disputa já no primeiro turno.

A analista também relacionou a movimentação ao cenário das pesquisas e à tentativa das campanhas adversárias de evitar uma concentração antecipada de votos em Flávio.

Um episódio que amplia a pressão eleitoral

O caso coloca novamente no mesmo cenário personagens que já estavam sob os holofotes por diferentes motivos. De um lado, um candidato à Presidência em plena reta final da campanha. Do outro, um ex-banqueiro investigado em um dos maiores escândalos financeiros do período e uma aeronave que também esteve no centro de questionamentos envolvendo um ministro do STF.

A reportagem da piauí não afirma que a viagem de Flávio tenha envolvido qualquer irregularidade. O que a investigação jornalística revelou foi a composição societária da aeronave no período do voo e a presença de uma empresa ligada a Vorcaro entre os cotistas. Willer Tomaz, por sua vez, sustenta que era o responsável pela viagem e nega qualquer relação com o ex-banqueiro.

Em uma eleição marcada por disputas acirradas e pela força das narrativas construídas diariamente nas redes sociais, cada nova informação pode ganhar dimensão muito além do fato original. A viagem de janeiro de 2025, agora revelada em detalhes, passa a integrar um capítulo ainda maior de uma história que envolve política, poder, negócios e personagens que continuam ocupando o centro do debate nacional.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Estadão Conteúdo

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