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Trackings de Lula e Flávio apontam segundo turno indefinido e reta final de disputa acirrada

Números de consumo interno das campanhas indicam eleição sem definição no primeiro turno; levantamentos públicos divulgados nesta quinta-feira também mostram empate técnico em diferentes cenários.

A reta final da eleição presidencial chega marcada por uma disputa cada vez mais apertada e por um cenário que, segundo números de consumo interno das campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), ainda está longe de uma definição. Fontes ouvidas pela CNN afirmam que os trackings das duas candidaturas apontam para a realização de um segundo turno e mostram uma disputa equilibrada entre os dois principais candidatos.

Os trackings são levantamentos diários utilizados internamente pelas campanhas para acompanhar oscilações nas intenções de voto e identificar movimentos do eleitorado ao longo da disputa. Embora os números não sejam divulgados oficialmente ao público, as leituras feitas pelos dois comitês convergem em um ponto: a eleição não deve ser encerrada no primeiro turno.

Campanhas fazem leituras diferentes do momento

No núcleo de Lula, os números internos indicam que o crescimento de Flávio teria perdido força nos últimos dias. A avaliação da campanha petista é de que o presidente mantém a liderança no primeiro turno e também aparece numericamente à frente em uma eventual segunda etapa.

Já os levantamentos acompanhados pela campanha de Flávio apontam uma trajetória diferente. Segundo fontes ouvidas pela CNN, os dados internos indicam crescimento do senador na reta final do primeiro turno e uma vantagem numérica sobre Lula em um eventual segundo turno. A própria leitura da campanha, porém, considera que essa diferença estaria dentro da margem de erro.

O ponto de convergência entre os dois lados está na avaliação de que o segundo turno seria marcado por uma disputa aberta e pela necessidade de conquistar os votos dos candidatos que ficarem pelo caminho.

Pesquisas públicas reforçam cenário apertado

Os números divulgados publicamente nesta quinta-feira (24) também apresentam diferenças entre os institutos, mas mantêm Lula e Flávio próximos nos cenários de primeiro e segundo turnos.

Na pesquisa Real Time Big Data, Lula aparece com 41% contra 37% de Flávio no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, porém, Flávio registra 45% e Lula 44%, resultado considerado empate técnico pela margem de erro de dois pontos percentuais.

O levantamento PoderData/Aya, realizado entre 20 e 23 de setembro com 3 mil eleitores, mostra Lula com 41% e Flávio com 39% no primeiro turno, também dentro da margem de erro de 1,8 ponto percentual. No segundo turno, Flávio aparece com 46% e Lula com 45%, novamente em empate técnico.

Já a nova rodada da Palver aponta Flávio com 48% e Lula com 45% em uma eventual segunda etapa. Como a margem de erro é de três pontos percentuais, o resultado também configura empate técnico.

Na Atlas/Bloomberg, divulgada na quarta-feira (23), Lula tinha 47,7% contra 47,4% de Flávio no segundo turno, com margem de erro de um ponto percentual.

Terceira via perde espaço nas projeções internas

Outro ponto de convergência identificado pelas campanhas é a expectativa de redução do espaço ocupado pelos demais candidatos na reta final. A avaliação é de que parte do eleitorado que hoje se distribui entre nomes como Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) poderá migrar para os dois candidatos que concentram a disputa.

Esse movimento é tratado pelas campanhas como um dos fatores que podem definir a composição do segundo turno. Nas pesquisas públicas mais recentes, os demais candidatos aparecem atrás de Lula e Flávio no primeiro turno, embora ainda mantenham parcelas do eleitorado.

A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira, por exemplo, coloca Augusto Cury e Renan Santos com 6% cada no cenário estimulado, enquanto Lula tem 41% e Flávio, 37%.

Rádio entra na estratégia das campanhas

Com a disputa cada vez mais concentrada nos dois principais candidatos, as campanhas também preparam novas estratégias para a reta final. Segundo as fontes ouvidas pela CNN, os dois grupos pretendem ampliar a exploração da rejeição do adversário, utilizando principalmente o rádio como ferramenta de comunicação com o eleitorado.

A estratégia ocorre em um momento em que os índices de rejeição dos dois candidatos também permanecem elevados. Na pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quinta-feira, Lula aparece com 50% de rejeição, enquanto Flávio registra 49%.

A combinação entre intenção de voto, rejeição e transferência de eleitores dos demais candidatos coloca a última fase da campanha sob forte disputa por cada segmento do eleitorado.

Última semana deve concentrar pressão sobre o eleitor

Com os dois lados trabalhando com números internos que apontam para um segundo turno e com diferentes pesquisas públicas registrando empate técnico em uma eventual disputa direta, a reta final ganha importância para as campanhas.

Mais do que uma corrida definida antecipadamente, os dados disponíveis retratam um eleitorado ainda em movimento, com parcelas de votos que podem mudar de posição até a votação. É nesse ambiente de incerteza, pressão e intensa disputa pela atenção do eleitor que os últimos dias da campanha presidencial entram em sua fase decisiva, transformando cada movimento, cada mensagem e cada voto ainda indefinido em uma peça importante do cenário eleitoral.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução

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