Presidente deve definir nesta quarta-feira (23) proposta que pode proibir cassinos online ou ampliar as restrições ao setor antes do primeiro turno.
De volta ao Brasil após participar da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retoma nesta quarta-feira (23) uma discussão que ganhou espaço no debate nacional e também entrou no radar da campanha eleitoral: o futuro das apostas online no país. O governo corre contra o tempo para definir uma proposta de restrição ou proibição das chamadas bets.
Lula deve se reunir com integrantes da equipe que vem discutindo o assunto nas últimas semanas. O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, tem encontro previsto com o presidente no Palácio da Alvorada. As alternativas já foram apresentadas pela equipe econômica, mas a decisão final caberá ao presidente.
Governo avalia duas possibilidades
Uma das alternativas em análise prevê a proibição total das bets, atingindo tanto os cassinos online, como os chamados jogos de “tigrinho”, quanto as apostas relacionadas a eventos esportivos.
Outra possibilidade é uma proibição parcial, com foco nos cassinos online e novas restrições à publicidade das plataformas de apostas. A definição ainda depende da avaliação do governo sobre os impactos econômicos, sociais e jurídicos de cada medida.
O Palácio do Planalto trabalha para que uma eventual decisão seja anunciada antes do primeiro turno das eleições. Lula já declarou publicamente ser favorável ao fim das bets e afirmou que, pessoalmente, acabaria com as plataformas, embora tenha ressaltado que, como presidente, precisa considerar os diferentes impactos de uma decisão desse tipo.
Pesquisa mostra apoio à proibição
A discussão ganhou novos elementos com a divulgação, nesta quarta-feira (23), da pesquisa Atlas/Bloomberg. O levantamento aponta que 75% dos entrevistados concordam com a proibição das apostas online, enquanto 17% discordam e 8% não concordam nem discordam. O apoio à proibição aumentou em relação a abril, quando era de 73%.
O levantamento também mostra que 59,9% dos entrevistados consideram que as bets trazem somente prejuízos à sociedade. Outros 28,6% avaliam que elas provocam mais prejuízos do que benefícios. Somados, os dois grupos representam 88,5% dos entrevistados.
A pesquisa ouviu 5.015 pessoas da população adulta brasileira entre os dias 17 e 22 de setembro. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-04739/2026.
Quem é apontado como responsável pela expansão
O levantamento também perguntou aos entrevistados quem consideram ser o principal responsável pela disseminação das apostas online no Brasil. Para 36%, a responsabilidade é atribuída ao governo Lula. Outros 25,4% apontaram o governo Jair Bolsonaro, enquanto 16,5% citaram o Congresso Nacional.
Os números colocam o tema no centro de uma discussão que envolve não apenas saúde financeira e proteção dos consumidores, mas também regulamentação, arrecadação, publicidade e os impactos das apostas sobre diferentes setores da economia.
Bets também mobilizam o futebol
A possibilidade de novas restrições também provocou reação no futebol brasileiro. Clubes, federações e representantes do setor de apostas divulgaram manifesto contra uma eventual proibição das apostas esportivas, argumentando que as empresas se tornaram uma importante fonte de receitas para o futebol, especialmente por meio de patrocínios.
Ao mesmo tempo, o governo sustenta que os impactos sociais das apostas precisam ser considerados na formulação das políticas públicas. Entre os pontos que vêm sendo discutidos estão o endividamento, a publicidade e os mecanismos de proteção aos apostadores.
Decisão pode definir próximos passos
Com o retorno de Lula ao país, a expectativa agora se concentra na definição do formato que será adotado pelo governo. A decisão poderá resultar em uma proibição ampla ou em novas restrições direcionadas principalmente aos cassinos online e à publicidade das plataformas.
O debate sobre as bets chegou a um ponto em que diferentes interesses se encontram: consumidores, governo, empresas de apostas, clubes de futebol e o próprio Congresso. Enquanto o Planalto avalia os próximos passos, os números da pesquisa mostram que o tema já alcançou uma parcela expressiva da população e deve continuar ocupando espaço no debate público e eleitoral nas próximas semanas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













