Declaração reforça estratégia da defesa do ex-presidente após questionamentos do STF sobre o uso de inteligência artificial durante evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Em tempos em que a inteligência artificial ocupa cada vez mais espaço na política e na comunicação, o uso dessa tecnologia passou a desafiar também os limites da legislação eleitoral e da Justiça. Um vídeo exibido durante a convenção nacional do PL transformou-se em alvo de questionamentos no Supremo Tribunal Federal (STF) e abriu um novo capítulo nas discussões sobre responsabilidade e autorização para conteúdos gerados por IA.
Nesta sexta-feira (31), o senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou que o ex-presidente Jair Bolsonaro não tinha conhecimento prévio da exibição de um vídeo produzido por inteligência artificial durante a convenção do Partido Liberal que oficializou sua candidatura, realizada no último sábado (25).
Declaração busca afastar responsabilidade de Bolsonaro
A manifestação ocorreu durante uma transmissão ao vivo, após a defesa de Jair Bolsonaro informar ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que o ex-presidente não autorizou o uso de sua imagem no material exibido durante o evento partidário.
Na live, Flávio Bolsonaro afirmou que o pai desconhecia completamente a produção e a apresentação do vídeo.
“É óbvio que o presidente Bolsonaro não tinha a menor ideia de que ia passar um vídeo de IA dele na nossa convenção. E, obviamente, nós estudamos a legislação e não tem absolutamente nada de errado”, declarou o candidato.
Segundo a defesa, a manifestação tem como objetivo demonstrar que Jair Bolsonaro não participou da elaboração nem autorizou a utilização de sua imagem por meio de inteligência artificial.
STF analisa possíveis consequências do caso
Durante o programa Live CNN desta sexta-feira, o analista de política Matheus Teixeira explicou que o ministro Alexandre de Moraes solicitou esclarecimentos por entender que o episódio pode ser interpretado sob duas hipóteses distintas.
A primeira possibilidade é que Jair Bolsonaro tivesse conhecimento da exibição do vídeo, situação que, em tese, poderia caracterizar descumprimento da medida cautelar que restringe manifestações político-partidárias do ex-presidente. Caso essa interpretação fosse confirmada, poderiam surgir novas consequências judiciais.
A segunda hipótese é que o vídeo tenha sido utilizado sem o conhecimento e sem a autorização de Bolsonaro. Nesse cenário, a discussão passa a envolver o entendimento da Justiça Eleitoral sobre o uso de conteúdos produzidos com inteligência artificial.
Uso de inteligência artificial também levanta debate eleitoral
Segundo o analista, a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) estabelece que materiais produzidos por inteligência artificial utilizando a imagem de um político, quando empregados por outro candidato em campanha, devem contar com autorização expressa da pessoa retratada.
Para Matheus Teixeira, a declaração de Flávio Bolsonaro busca justamente reforçar a versão apresentada pela defesa.
“Flávio Bolsonaro reforça que o pai não sabia da existência do vídeo para impedir, ou ao menos tentar evitar, que fique caracterizado o descumprimento da medida cautelar”, explicou o analista.
Caso amplia debate sobre IA nas eleições
O episódio evidencia um dos novos desafios enfrentados pela Justiça Eleitoral diante da rápida evolução das ferramentas de inteligência artificial. Ao mesmo tempo em que a tecnologia amplia possibilidades de comunicação, também impõe discussões sobre direitos de imagem, responsabilidade dos envolvidos e regras para o uso desse tipo de conteúdo em campanhas políticas. O desfecho do caso poderá contribuir para consolidar entendimentos jurídicos sobre a utilização da IA no processo eleitoral brasileiro, em um cenário no qual inovação tecnológica e segurança democrática caminham lado a lado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/G1 – Globo.com













