Bombardeios atingem áreas residenciais em Teerã e Urmia nesta sexta-feira (27); número de mortos cresce e autoridades israelenses indicam ampliação das operações militares.
O som das explosões rompeu o silêncio da madrugada e deixou para trás um cenário de destruição, medo e vidas interrompidas. Em meio a escombros e corridas contra o tempo, civis voltaram a ser atingidos por mais uma onda de violência no conflito entre Israel e Irã, que se intensifica a cada dia.
O Forças de Defesa de Israel confirmou nesta sexta-feira (27) o lançamento de uma “onda de ataques em larga escala” contra a capital iraniana, Teerã, com foco na infraestrutura ligada ao regime. A ofensiva ocorreu durante a madrugada e mobilizou equipes de resgate em diversas regiões atingidas.
Civis sob escombros e resgate em áreas destruídas
De acordo com a Sociedade do Crescente Vermelho Iraniano, áreas residenciais foram atingidas, deixando civis presos sob os escombros. Equipes de emergência foram enviadas imediatamente para prestar socorro.
Imagens divulgadas mostram o desespero nas buscas por sobreviventes. Em um dos registros, socorristas sobem por escadas danificadas de um prédio destruído, enquanto objetos do cotidiano, como uma bicicleta infantil coberta de poeira, evidenciam o impacto direto sobre famílias.
Outras cidades também foram atingidas
Além de Teerã, a cidade de Urmia também foi alvo de bombardeios na madrugada desta sexta-feira (27). Segundo autoridades locais citadas pela agência estatal iraniana, quatro unidades residenciais foram completamente destruídas, deixando mortos e feridos.
Equipes humanitárias seguem atuando na região em operações de busca e resgate, tentando localizar sobreviventes entre os destroços.
Escalada do conflito e número de vítimas
Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, os ataques já danificaram mais de 87 mil unidades civis em todo o Irã, sendo cerca de 66 mil residenciais, segundo dados humanitários.
Levantamento da Human Rights Activists News Agency aponta que ao menos 1.492 civis — incluindo 221 crianças — morreram até agora, além de 1.167 militares. O número pode ser ainda maior, já que há vítimas não contabilizadas.
Israel promete ampliar ofensiva
O endurecimento das ações militares foi reforçado pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz. Em declaração nesta sexta-feira (27), ele afirmou que os ataques “irão se intensificar e se expandir”.
Segundo Katz, a decisão ocorre após o Irã manter o lançamento de mísseis contra o território israelense, mesmo após alertas. Ele afirmou que novos alvos serão incluídos nas operações, com foco em estruturas estratégicas e lideranças do regime iraniano.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu também foi citado como parte das decisões que ampliam a ofensiva militar.
Conflito sem trégua
Israel mantém ataques quase diários dentro do território iraniano há cerca de quatro semanas, em ações coordenadas com os Estados Unidos. Na quinta-feira (26), o exército israelense anunciou a morte de um comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã.
Enquanto líderes falam em estratégia e retaliação, o cenário no chão continua sendo de dor, perdas e incerteza. Em meio a discursos militares e decisões políticas, são as vidas comuns que seguem sendo interrompidas e é justamente nelas que o peso real da guerra se revela, silencioso, devastador e difícil de reparar.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













