Presidente diz que filho terá de provar sua inocência caso tenha cometido irregularidades; Lulinha é alvo de três inquéritos que investigam suspeitas de tráfico de influência e corrupção.
Em meio às investigações que colocaram novamente o nome de seu filho mais velho no centro do debate político, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que as apurações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, devem continuar. Segundo o presidente, se houver qualquer irregularidade, o filho deverá responder pelos próprios atos e provar sua inocência.
A declaração foi dada durante entrevista gravada neste domingo (24), no Palácio da Alvorada, para a Record TV. Lula afirmou que não pretende interferir em investigações e reforçou que a regra deve valer para qualquer pessoa, inclusive para integrantes de sua própria família.
“Investigue-se”, diz presidente
“Todos nós somos obrigados a agirmos corretamente. Se alguém está agindo de forma equivocada, de forma errada, esse alguém tem que ser investigado”, afirmou Lula.
O presidente também disse que não é contrário a investigações e que não utiliza o cargo para impedir apurações. “Isso vale para o meu filho, vale para qualquer pessoa. Ninguém está impune se cometeu erro”, declarou.
Lula afirmou ainda que, caso tenha cometido algum erro, Lulinha deverá ser julgado e poderá ser punido ou inocentado. “Ele tem que provar a inocência dele”, acrescentou.
Lulinha é alvo de três inquéritos
Fábio Luís Lula da Silva é investigado em três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As apurações envolvem suspeitas de tráfico de influência e corrupção relacionadas à atuação de empresas junto ao governo federal.
Duas investigações têm como relator o ministro André Mendonça. A terceira está sob relatoria do ministro Flávio Dino. Lulinha nega qualquer participação em atos ilícitos.
As investigações ganharam novos elementos após a Polícia Federal analisar o celular da lobista Roberta Luchsinger, que foi alvo da Operação Sem Desconto, deflagrada para investigar fraudes envolvendo benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Mensagens ampliaram atenção sobre o caso
Trechos de mensagens e relatórios produzidos pela Polícia Federal a partir da perícia no aparelho vieram a público nesta semana. Os diálogos indicariam uma possível interlocução entre Roberta, Lulinha e Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, que ocupou o cargo de chefe de gabinete do presidente Lula.
A PF investiga se existiria uma ligação entre os envolvidos com o objetivo de influenciar decisões do governo federal. Roberta Luchsinger e Marcola negam qualquer irregularidade.
Entrevista será exibida durante debate presidencial
A entrevista de Lula foi gravada pela Record na manhã deste domingo e será exibida dentro do programa Domingo Espetacular, a partir das 20h30. O horário coincide com o debate entre os candidatos à Presidência da República que será transmitido pela TV Band.
Lula, assim como Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo), informou que não deverá participar do debate, que marca o início da fase de confrontos diretos entre os presidenciáveis.
Em um cenário eleitoral cada vez mais marcado por disputas políticas e investigações que atingem nomes próximos ao poder, a declaração de Lula coloca um princípio no centro da discussão: ninguém deveria estar acima da apuração dos fatos. Agora, caberá às autoridades investigar, reunir provas e esclarecer o que de fato aconteceu, sem que o sobrenome ou a posição de qualquer envolvido determine o resultado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Ricardo Stuckert/PR













