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Lula é pressionado a reagir à crise do STF e pode convocar Conselho da República

Auxiliares defendem reunião urgente com Fachin, investigações sobre Moraes, afastamento de Mendonça das relatorias do Master e do INSS e mandato para futuros ministros da Corte.

A crise que envolve o Supremo Tribunal Federal ganhou um novo peso político dentro do Palácio do Planalto e já preocupa diretamente a estratégia de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Diante do agravamento da tensão institucional e de pesquisas que apontam um cenário mais competitivo para 2026, auxiliares do presidente passaram a defender uma reação mais firme do governo, incluindo até a convocação do Conselho da República.

A avaliação de interlocutores próximos a Lula é de que o presidente não pode permanecer apenas como espectador diante do embate que envolve o STF, a Polícia Federal e diferentes investigações em andamento. Entre as sugestões discutidas estão uma nova conversa urgente com o presidente da Corte, Edson Fachin, a abertura de investigações envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o afastamento de André Mendonça das relatorias dos casos Master e INSS.

Pressão por uma saída institucional

Para integrantes do entorno presidencial, a prioridade neste momento seria encontrar uma saída capaz de reduzir a temperatura da crise sem ampliar ainda mais o conflito entre os Poderes. Nesse cenário, Fachin é visto como peça central para conduzir uma tentativa de pacificação dentro do Supremo.

A interlocutores, auxiliares de Lula defendem que o presidente volte a conversar com o chefe da Corte para discutir os próximos passos. A ideia seria construir uma solução institucional diante de uma crise que, na avaliação do governo, já começa a produzir efeitos políticos que ultrapassam os limites do Judiciário.

Investigações contra Moraes entram no debate

Uma das propostas consideradas mais delicadas é a abertura de investigações envolvendo Alexandre de Moraes. A avaliação de pessoas próximas ao presidente é de que não seria mais possível simplesmente ignorar os questionamentos que vêm sendo apresentados em torno da atuação do ministro.

A defesa dessa medida, porém, não significa necessariamente que Lula faria uma manifestação pública imediata nesse sentido. A estratégia sugerida por alguns interlocutores seria transmitir a Fachin a necessidade de que o próprio Supremo encontre uma solução para os questionamentos e dê respostas capazes de recuperar a confiança nas instituições.

Ao mesmo tempo, também cresce dentro do governo a avaliação de que André Mendonça deveria deixar as relatorias dos casos Master e INSS. O argumento apresentado é de que o ministro teria perdido a imparcialidade necessária para continuar à frente dos processos diante do atual cenário de confronto institucional.

Afastamento de Andrei aumenta tensão

A pressão sobre Lula ganhou força após a decisão de Mendonça de afastar preventivamente Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal. A medida provocou reação no governo e passou a ser tratada como mais um episódio de uma crise que vem colocando frente a frente o Supremo, a PF e o Executivo.

O Planalto pretende reagir inicialmente por meio da Advocacia-Geral da União. A AGU deve questionar a decisão judicial sob o argumento de que a escolha e a nomeação do diretor-geral da Polícia Federal são atribuições privativas do presidente da República.

A estratégia defendida por aliados é que Lula se posicione diante do episódio não apenas como chefe de governo, mas como presidente da República responsável pela defesa das competências constitucionais do Executivo.

Pesquisas aumentam preocupação eleitoral

O cenário político também pesa nas discussões internas do Planalto. A preocupação aumentou depois que uma nova pesquisa Nexus mostrou o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno.

Para assessores próximos ao presidente, a crise envolvendo o STF pode se transformar em um dos principais assuntos da disputa eleitoral. A avaliação é de que temas como economia, segurança pública e soberania nacional podem dividir espaço com o embate institucional na reta final da campanha.

A oposição já utiliza o conflito entre o governo e setores do Judiciário para pressionar Lula e tentar associá-lo ao desgaste provocado pelas sucessivas crises envolvendo o Supremo.

Mandato para ministros do STF

Outro tema que voltou à mesa é a criação de mandatos para futuros ministros do Supremo. A discussão ganhou força no entorno de Lula diante da possibilidade de que, caso seja reeleito, o presidente possa indicar até quatro novos integrantes da Corte até 2030.

Interlocutores defendem que Lula passe a apoiar uma mudança constitucional para estabelecer mandatos de dez ou 15 anos para futuros ministros do STF. A proposta não atingiria, necessariamente, os atuais integrantes da Corte, mas alteraria o modelo de permanência dos próximos indicados.

A ideia também tem um componente político. A campanha de Flávio Bolsonaro vem explorando a quantidade de ministros que Lula poderá indicar em um eventual segundo mandato, e aliados do petista avaliam que é necessário apresentar uma resposta a esse discurso.

Conselho da República pode ser convocado

Entre as alternativas discutidas está ainda a convocação extraordinária do Conselho da República, órgão previsto na Constituição para assessorar o presidente em situações consideradas graves para a estabilidade das instituições democráticas.

O colegiado reúne representantes dos Poderes Executivo e Legislativo, incluindo os presidentes da Câmara e do Senado, líderes da maioria e da minoria nas duas Casas e representantes da sociedade civil.

A possibilidade, entretanto, divide opiniões dentro do próprio governo. Enquanto alguns auxiliares entendem que uma reunião do Conselho reforçaria o caráter institucional da resposta de Lula, outros temem que a medida coloque ainda mais holofotes sobre a crise e acabe alimentando o desgaste político do presidente em plena corrida eleitoral.

Lula deve procurar Fachin

Antes de qualquer decisão mais abrangente, a expectativa é de que Lula tente novamente conversar com Edson Fachin. O objetivo seria encontrar uma saída para reduzir a tensão e, ao mesmo tempo, preservar as competências constitucionais do Executivo diante do afastamento de Andrei Rodrigues.

O movimento ocorre em um momento particularmente sensível para o governo. De um lado, Lula precisa responder ao que seus aliados consideram uma escalada institucional preocupante. Do outro, qualquer reação mais contundente contra o STF pode ampliar ainda mais a crise e transformar o episódio em combustível para a disputa eleitoral.

No centro dessa queda de braço está uma questão que vai muito além dos nomes envolvidos: os limites de atuação de cada Poder e a capacidade das instituições brasileiras de atravessar uma crise sem transformar o conflito político em uma ruptura institucional. É justamente essa linha tênue que Lula agora terá de administrar, enquanto 2026 se aproxima e cada movimento em Brasília ganha peso também nas urnas.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/ Canal Gov

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