Encontro entre os presidentes melhorou o clima diplomático entre os dois países, porém negociações comerciais seguem sem avanços concretos.
O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que o “humor mudou” entre o Brasil e os Estados Unidos após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente norte-americano Donald Trump. Em entrevista à CNN, Amorim avaliou que o encontro criou uma nova base política para o diálogo bilateral.
Segundo ele, a conversa entre os dois líderes, que durou cerca de três horas, teve saldo “muito positivo” e abriu espaço para negociações em diferentes áreas.
“É isso que cabe fazer a chefes de Estado. O humor mudou e os acordos virão das conversas entre ministros e técnicos”, afirmou.
Para o ex-chanceler, o relacionamento entre Brasil e Estados Unidos “está pavimentado” após um período marcado por trocas de críticas públicas entre Lula e Trump.
Após o encontro realizado na quinta-feira (7), Lula afirmou que espera a derrubada das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O presidente brasileiro também sinalizou disposição para negociar acordos envolvendo a exploração de terras raras no Brasil.
Do lado americano, Trump elogiou Lula e classificou a reunião como positiva, indicando possibilidade de avanços comerciais no médio prazo.
Apesar do discurso otimista, analistas avaliam que a aproximação política ainda não trouxe efeitos concretos nas negociações tarifárias.
O diretor de jornalismo da CNN em Brasília, Daniel Rittner, afirmou que o encontro teve impactos distintos do ponto de vista político e econômico.
“Para o Lula candidato, foi uma excelente reunião. Para o Lula presidente, que negocia tarifas, foi relativamente indiferente”, avaliou.
Segundo Rittner, a aproximação com a Casa Branca atende também a interesses eleitorais e diplomáticos do governo brasileiro. Entre os fatores citados está o receio de uma possível interferência americana nas eleições brasileiras ou de eventual apoio político a Flávio Bolsonaro.
O analista destacou ainda o peso simbólico da reunião para o governo.
“A fotografia vale muito. A mensagem é de que Lula é um ator global, que consegue diálogo direto com a Casa Branca”, disse.
No entanto, o cenário comercial continua desafiador. Estimativas da consultoria Eurasia indicam que o Brasil pode enfrentar tarifas entre 25% e 30% em determinados produtos exportados aos Estados Unidos.
Além disso, o Brasil está incluído em uma investigação da chamada Seção 301, conduzida pelos EUA e que também envolve países como China, União Europeia e Japão.
De acordo com Rittner, embora Lula e Trump já tenham mantido diversos contatos, entre reuniões e telefonemas, as conversas ainda não resultaram em medidas efetivas para proteger o Brasil de novas tarifas americanas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação













