Presidente quer saber quando devem ser retomadas as discussões sobre os casos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) espera voltar a conversar nos próximos dias com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para entender quais serão os próximos passos dos processos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça. A expectativa ocorre depois de uma semana marcada por divergências públicas dentro da Corte e pelo adiamento de um dos julgamentos relacionados ao caso Banco Master.
A preocupação no Palácio do Planalto, segundo apuração da CNN, é que a sessão extraordinária de terça-feira (15) tenha ampliado a exposição dos conflitos internos do Supremo sem produzir uma definição sobre as principais questões que levaram a crise ao plenário.
Naquele dia, o STF encerrou a sessão sem decidir se o caso envolvendo Moraes seria analisado separadamente ou em conjunto com o processo relacionado à conduta de Mendonça. O ministro Flávio Dino pediu vista e terá, pelas regras da Corte, até 90 dias para devolver a questão para julgamento.
Planalto acompanha os próximos movimentos
Antes da sessão, Lula havia pedido a auxiliares que acompanhassem o julgamento, diante da expectativa de que o Supremo pudesse estabelecer algum encaminhamento para os processos. A indefinição aumentou depois que Fachin retirou da pauta o julgamento sobre a atuação de Mendonça, que estava previsto para 23 de setembro e ainda não tem nova data.
Segundo a CNN, o presidente também não teria gostado da postura adotada por Flávio Dino durante a sessão, especialmente pelo tom utilizado nos embates com outros integrantes da Corte. Trata-se de uma informação atribuída à apuração jornalística, e não de uma declaração pública de Lula sobre o episódio.
Fachin, por sua vez, assumiu a relatoria do processo que envolve a suposta relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente do STF também recebeu processos relacionados ao Banco Master e ao caso dos descontos indevidos no INSS.
Crise no STF chega à reta final da eleição
Na conversa que espera ter com Fachin, Lula pretende entender se existe alguma previsão para a retomada dos julgamentos. A preocupação, segundo a CNN, é que a indefinição se prolongue durante a reta final da eleição e continue sendo explorada no discurso político.
O cenário coloca o governo diante de uma questão paralela à disputa eleitoral: como tratar publicamente uma crise que envolve diretamente integrantes da Suprema Corte sem ampliar ainda mais sua repercussão política.
Enquanto acompanha os movimentos do STF, Lula também procura deslocar o foco da campanha para temas ligados ao cotidiano da população, como renda, custo de vida e programas sociais.
Governo antecipa medidas de campanha
O movimento mais recente foi o anúncio de reajuste de 15,04% no Bolsa Família. A partir de outubro, o piso do benefício passará de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio subirá de R$ 675 para R$ 777.
A medida foi apresentada pelo governo como uma atualização dos valores do programa. No ambiente eleitoral, porém, o anúncio ocorre durante a reta final da campanha e em meio à tentativa de Lula de concentrar o debate em questões econômicas e sociais.
A crise no STF, por outro lado, permanece sem uma solução definida. Com o pedido de vista de Dino e o adiamento do julgamento envolvendo Mendonça, os próximos movimentos dependem agora da devolução da questão ao plenário e da definição de uma nova data para os julgamentos.
Enquanto isso, a expectativa por uma nova conversa entre Lula e Fachin mostra que os desdobramentos da crise deixaram de ser acompanhados apenas dentro do Supremo e passaram a ocupar também o centro das preocupações políticas do governo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Antônio Augusto/STF













