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PF apreende dólares e euros em endereços ligados a Jaques Wagner durante operação sobre Banco Master

Líder do governo no Senado foi alvo de buscas da Operação Compliance Zero; investigação apura supostos benefícios recebidos em esquema ligado ao ex-controlador do Banco Master.

Em meio a uma investigação que já provoca forte repercussão nos bastidores de Brasília, o senador Jaques Wagner (PT-BA), uma das principais figuras do governo federal no Congresso, passou a ocupar o centro de um novo capítulo da Operação Compliance Zero. Nesta quinta-feira (18), a Polícia Federal apreendeu valores em moeda estrangeira e realizou buscas em imóveis ligados ao parlamentar, ampliando o alcance das apurações que envolvem o Banco Master.

Segundo a investigação, foram encontrados cerca de 55 mil dólares, o equivalente a aproximadamente R$ 284 mil, e 33 mil euros, cerca de R$ 196 mil. O dinheiro foi localizado em um quarto de hotel na capital federal onde o senador costuma se hospedar durante suas atividades em Brasília. A Polícia Federal pretende ouvi-lo para esclarecer a origem dos recursos.

Buscas em Brasília e Salvador

Além da apreensão realizada em Brasília, agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em um apartamento vinculado ao senador em Salvador. As medidas fazem parte de mais uma etapa da Operação Compliance Zero, que investiga uma suposta rede de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e seus antigos dirigentes.

A expectativa é que Jaques Wagner se manifeste publicamente ainda nesta quinta-feira para apresentar esclarecimentos sobre os fatos investigados. Nos bastidores políticos, também cresce a expectativa sobre uma possível conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador a respeito de sua permanência na liderança do governo no Senado.

Suspeita envolve apartamento de R$ 2,4 milhões

As investigações da Polícia Federal apontam ainda para a suspeita de que a família de Jaques Wagner tenha recebido um apartamento em Salvador avaliado em mais de R$ 2,4 milhões. O imóvel teria sido adquirido por Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master e aliado empresarial de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira.

De acordo com os investigadores, uma conversa registrada em novembro de 2024 mostra o senador repassando informações relacionadas ao imóvel, incluindo detalhes da construtora responsável, o valor da unidade e dados de contato. A PF apura se a transação pode ter sido utilizada como forma de pagamento de vantagem indevida.

Defesa nega irregularidades

Procurada, a defesa de Augusto Lima classificou as diligências realizadas pela Polícia Federal como desnecessárias e negou qualquer prática ilícita.

Em nota, os advogados afirmaram que as medidas contribuirão para demonstrar a legalidade dos fatos investigados. A defesa sustenta que o empresário sempre atuou dentro da legislação, respeitando as normas que regem tanto o sistema financeiro quanto a administração pública.

A reportagem também buscou posicionamento da defesa de Jaques Wagner. Até o momento, não houve manifestação pública sobre as acusações apresentadas pela investigação.

O que é a Operação Compliance Zero

A Operação Compliance Zero teve sua primeira fase deflagrada em novembro de 2025, quando a Polícia Federal prendeu Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. Na mesma ocasião, Augusto Lima também foi alvo das ações policiais.

Naquele período, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira. Poucos dias depois, Vorcaro deixou a prisão mediante uso de tornozeleira eletrônica, mas voltou a ser preso em março deste ano durante uma nova fase da investigação. Atualmente, ele permanece detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Ao longo dos últimos meses, os investigadores passaram a descrever uma estrutura complexa que, segundo a apuração, envolvia influência política, acesso a informações sigilosas e ações coordenadas para beneficiar interesses do grupo investigado.

Em um cenário político já marcado por tensões e disputas, o avanço das investigações coloca novamente sob os holofotes a relação entre poder político e interesses econômicos. Mais do que os valores apreendidos ou os imóveis sob suspeita, o caso desperta uma reflexão inevitável sobre a importância da transparência e da confiança nas instituições, pilares essenciais para a credibilidade da vida pública e para a confiança da população em seus representantes.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução

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