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PF nega interferência eleitoral em investigação sobre fraudes no INSS e defende ritmo das apurações

Direção da Polícia Federal afirma que operação sobre descontos indevidos em aposentadorias segue critérios técnicos e que casos mais complexos com presos preventivos exigem prioridade legal.

A demora na conclusão de uma das maiores investigações recentes envolvendo fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS voltou a provocar questionamentos e pressão sobre a Polícia Federal. Em meio a suspeitas levantadas nos bastidores sobre possível influência do calendário eleitoral no andamento das apurações, a cúpula da PF veio a público nesta sexta-feira (3) para afastar qualquer interferência política e reforçar que o caso segue critérios estritamente técnicos e legais.

A manifestação ocorreu após a Polícia Federal solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prorrogação do prazo para concluir o inquérito da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes contra beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

PF afirma que investigação segue trâmite regular

Em conversa com jornalistas, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que a investigação está sendo conduzida com imparcialidade e dentro dos procedimentos normais adotados pela instituição.

Segundo ele, a necessidade de ampliar o prazo decorre da complexidade do caso e da existência de outras investigações que, por envolverem presos preventivos e crimes considerados mais graves, precisam receber prioridade por determinação legal.

“O caso segue os trâmites normais de uma investigação policial e é conduzido com imparcialidade, dentro da responsabilidade institucional”, afirmou Rodrigues.

O diretor também destacou que a Operação Sem Desconto conta atualmente com a maior equipe de investigação mobilizada pela Polícia Federal e que todos os atos vêm sendo acompanhados pelo Ministério Público e pelo relator do processo no Supremo, ministro André Mendonça.

PF rejeita motivação eleitoral

O diretor-executivo da corporação, William Murad, também rebateu a hipótese de que a investigação esteja sendo retardada por razões eleitorais ou por insuficiência de pessoal.

“Temos mais de 40 mil investigações em curso. Há uma priorização de investigações complexas. É inverdade que a PF não consegue concluir por escassez de recursos humanos ou para não priorizar o caso por questão eleitoral. Isso não condiz com a realidade”, declarou.

A declaração ocorre após críticas relacionadas ao ritmo das apurações e à quantidade de pedidos pendentes apresentados pelas defesas dos investigados.

STF cobrou aceleração das análises

No início desta semana, a Polícia Federal pediu ao ministro André Mendonça mais tempo para finalizar o inquérito. No documento encaminhado ao Supremo, a corporação informou que ainda não conseguiu concluir a análise de todo o material apreendido desde a primeira fase da operação, realizada em abril do ano passado.

A solicitação foi apresentada após o ministro determinar que a PF concluísse, em até 60 dias, a avaliação dos dados extraídos de celulares, discos rígidos e dispositivos eletrônicos apreendidos durante a investigação.

Segundo informações apuradas, a cobrança do gabinete de André Mendonça ocorreu diante da percepção de lentidão no andamento das investigações e do acúmulo de pedidos de revogação de prisão preventiva formulados pelas defesas dos investigados. Atualmente, haveria mais de 14 solicitações aguardando análise.

Novas diligências ainda estão em andamento

Pessoas próximas ao ministro apontam que outras investigações conduzidas pela Polícia Federal, como o chamado caso Master, iniciado meses depois da Operação Sem Desconto, apresentam estágio mais avançado de análise pericial.

Em junho, a própria PF informou que conseguiria concluir, em cerca de 30 dias, a análise dos materiais relacionados aos presos preventivos, mas estimou um prazo de até seis meses para finalizar a avaliação dos demais investigados.

Entre as diligências pendentes está a análise das quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, medidas autorizadas pelo ministro André Mendonça ainda em fevereiro.

Em um caso que envolve milhares de aposentados e pensionistas potencialmente prejudicados, a pressão por respostas rápidas se soma à necessidade de garantir investigações técnicas e robustas. O desafio das autoridades, agora, é encontrar o equilíbrio entre a urgência de esclarecer os fatos e o rigor necessário para que as conclusões resistam ao escrutínio da Justiça e da sociedade.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução/CNN

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