Corte retoma julgamentos nesta quarta-feira (2), em meio à repercussão das mensagens do ex-banqueiro do Banco Master e à divulgação de relatório da Polícia Federal.
O Supremo Tribunal Federal (STF) volta a se reunir nesta quarta-feira (2), às 14h, sob os olhares atentos do país. Esta será a primeira sessão plenária da Corte desde que vieram a público mensagens enviadas pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao ministro Alexandre de Moraes, aumentando a pressão e a repercussão em torno dos contatos mantidos entre os dois.
A sessão ocorre um dia depois de o ministro André Mendonça retirar o sigilo do relatório da Polícia Federal que reúne as mensagens atribuídas a Vorcaro e outros elementos levantados pela investigação. O material trouxe à tona conversas de tom pessoal e questionamentos do banqueiro sobre a possibilidade de ser alvo de uma operação policial.
STF analisa três processos nesta quarta
Apesar da repercussão do caso, a pauta do plenário é formada por processos que não têm relação direta com as mensagens divulgadas. Entre os julgamentos está a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4395, que discute a cobrança de contribuição previdenciária sobre a receita bruta do empregador rural ao Funrural, Fundo de Assistência do Trabalhador Rural.
O colegiado deverá proclamar o resultado desse julgamento e definir parâmetros relacionados à chamada sub-rogação no Funrural.
Também está previsto o julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 1479774, que trata da inclusão ou não de aplicações financeiras das seguradoras no cálculo do PIS e da Cofins.
Outro processo em pauta é o RE 1495108, que discute a cobrança do ITBI, Imposto de Transmissão de Bens Imóveis, pelas empresas imobiliárias quando há transferência de bens e direitos para incorporação ao capital social.
Mensagens aumentam repercussão sobre relação entre Vorcaro e Moraes
Entre os trechos que mais chamaram atenção no relatório da PF está uma mensagem enviada por Vorcaro em 14 de novembro de 2025, poucos dias antes de sua prisão. No texto, o banqueiro demonstrava proximidade com o ministro e afirmava ter gratidão a Moraes e à família dele.
As mensagens também indicam que Vorcaro teria procurado o contato atribuído a Moraes em busca de informações sobre uma possível operação contra ele.
Em 15 de novembro, dois dias antes de ser preso, o banqueiro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. No dia seguinte, voltou a questionar se haveria possibilidade de deixar a situação antes da manhã seguinte.
Vorcaro acabou preso em 17 de novembro, no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar em um avião particular com destino a Dubai.
PF identificou encontros entre os dois
O relatório também aponta indícios de uma relação próxima entre Vorcaro e Moraes. Segundo o material, a Polícia Federal identificou ao menos seis encontros entre os dois entre novembro de 2024 e agosto de 2025.
Em março de 2025, um funcionário do banqueiro teria avisado que o “Min Alexandre chegou”. Naquela mesma noite, Vorcaro informou a um diretor do Banco Central que estava “com Moraes aqui”.
A divulgação das mensagens colocou novamente o STF no centro de uma discussão que ultrapassa os limites de um processo judicial e envolve questionamentos sobre relações, contatos e possíveis acessos mantidos por autoridades públicas. Agora, enquanto os ministros retomam a rotina de julgamentos, a atenção sobre os próximos movimentos da Corte deve permanecer ainda maior.
Em um momento em que a confiança nas instituições é colocada à prova diariamente, cada informação revelada ganha um peso diferente. Mais do que os julgamentos previstos na pauta, o que estará em jogo nesta quarta-feira também é a capacidade das instituições de responderem às dúvidas que surgem diante do país com transparência, equilíbrio e responsabilidade.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













