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Suspeito de acessar dados da esposa de Moraes é filho de ex-prefeito do Rio e está foragido

Operação do STF aponta empresário como possível mandante de esquema que envolvia acesso ilegal a dados fiscais de autoridades.

A revelação de que dados pessoais de autoridades podem ter sido acessados e comercializados de forma clandestina provoca inquietação e levanta um alerta sobre os limites da segurança institucional no país. No centro desse cenário está um nome que agora passa a ser investigado de perto e que conecta poder, influência e suspeitas graves.

O empresário Marcelo Conde é apontado pela Polícia Federal como suspeito de comprar e vazar dados fiscais sigilosos de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Luiz Paulo Conde, que morreu em 2015, ele é considerado foragido e estaria no exterior.

Operação expõe esquema estruturado de acesso ilegal

O mandado de prisão preventiva foi expedido pelo próprio Moraes no âmbito da Operação Exfil, deflagrada na quarta-feira, 1º de abril. A investigação aponta que Conde teria adquirido mais de mil dados fiscais de forma ilegal, incluindo informações diretamente ligadas à esposa do ministro.

Segundo a Polícia Federal, o esquema envolvia o acesso indevido a sistemas da Receita Federal e do Coaf, com posterior compartilhamento das informações. Ao todo, teriam sido violados dados de 1.819 contribuintes, entre eles pessoas ligadas a ministros do STF, do Tribunal de Contas da União, parlamentares e empresários.

Estrutura envolvia servidores e intermediários

As investigações indicam a existência de uma rede organizada de intermediação, que contaria com a participação de servidores públicos, funcionários terceirizados e despachantes. Esse grupo seria responsável por viabilizar o acesso aos dados sigilosos e repassá-los mediante pagamento.

De acordo com os autos, Marcelo Conde seria o mandante do esquema. Depoimentos apontam que ele fornecia listas de CPFs e realizava pagamentos em dinheiro, que giravam em torno de R$ 4.500, para obter as informações desejadas.

Mandados e investigação sob sigilo

Além da ordem de prisão, foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em endereços localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. A investigação segue sob sigilo, o que limita a divulgação de detalhes adicionais neste momento.

A defesa de Marcelo Conde não foi localizada até a publicação da reportagem, e o espaço segue aberto para manifestação.

Caso se conecta a investigação maior

A primeira fase da operação ocorreu em 17 de fevereiro e integra um desdobramento do chamado Inquérito das Fake News, aberto em 2019 por iniciativa do então presidente do STF, Dias Toffoli, que designou Moraes como relator.

Mais do que um caso isolado, o episódio revela uma engrenagem preocupante, onde dados sensíveis podem se transformar em moeda de troca nas sombras. Em tempos em que a privacidade se torna cada vez mais vulnerável, a investigação levanta uma reflexão inevitável: até que ponto nossas informações estão, de fato, protegidas e quem vigia aqueles que têm acesso a elas?

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Rosinei Coutinho/STF

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