Presidentes dos Estados Unidos e da China discutem comércio, inteligência artificial, tecnologia, Taiwan e outras questões estratégicas nesta quinta-feira (24).
O mundo volta os olhos para Washington nesta quinta-feira (24), onde dois dos principais líderes do cenário internacional se encontram em uma reunião cercada de expectativas e temas sensíveis. O presidente da China, Xi Jinping, chegou à Casa Branca para conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em uma cúpula que coloca no centro das discussões o futuro das relações entre as duas maiores economias do planeta.
Antes do início das conversas, Trump destacou a relação pessoal construída com Xi e afirmou que os dois países vêm trabalhando para estabelecer uma relação comercial mais equilibrada. Entre os assuntos previstos estão comércio, segurança, tecnologia e inteligência artificial.
Comércio e inteligência artificial estão no centro
Trump afirmou que pretende discutir com Xi o futuro da inteligência artificial e chamou a tecnologia de uma ferramenta que pode contribuir para a paz e a prosperidade nas próximas décadas.
O presidente americano também destacou avanços nas relações comerciais e mencionou a criação de mecanismos voltados a ampliar o comércio de produtos não sensíveis entre os dois países. Entre os interesses de Washington está a abertura de novos mercados para agricultores e pecuaristas americanos.
A reunião ocorre enquanto Estados Unidos e China tentam preservar uma trégua comercial que reduziu parte das tensões provocadas pela disputa tarifária. A manutenção desse entendimento está entre os principais pontos de interesse das duas delegações.
Taiwan e terras raras também estão na agenda
Apesar do tom amistoso adotado pelos dois governos, permanecem diferenças importantes. Taiwan é um dos temas mais delicados da relação entre Washington e Pequim, enquanto a disputa por minerais de terras raras e as restrições americanas à exportação de tecnologias avançadas também fazem parte das negociações.
Outro assunto que pode aparecer nas conversas é a guerra no Irã. Washington busca ampliar a influência de Pequim sobre Teerã, enquanto a China mantém posições próprias sobre o conflito.
Os dois governos também demonstraram interesse em ampliar o diálogo sobre inteligência artificial, justamente em uma área na qual Estados Unidos e China disputam liderança tecnológica e discutem os riscos relacionados ao desenvolvimento acelerado da tecnologia.
Xi defende convivência entre as duas potências
Antes do encontro, Xi Jinping afirmou que China e Estados Unidos podem encontrar uma forma adequada de convivência e cooperação.
Segundo uma declaração divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores chinês, o presidente defendeu que os interesses dos dois países podem caminhar lado a lado e contribuir para benefícios mais amplos.
A mensagem reforça uma linha que Xi já havia adotado durante a visita de Trump à China, em maio, quando os dois líderes também discutiram comércio, tecnologia e questões estratégicas.
Visita tem forte simbolismo
A viagem de Xi aos Estados Unidos tem duração de três dias e representa sua primeira visita a Washington em mais de uma década. A programação inclui uma cerimônia oficial na Casa Branca, jantar de Estado e encontros com representantes do setor tecnológico.
Trump também anunciou que acompanhará Xi aos Arquivos Nacionais na sexta-feira (25). Os dois deverão visitar documentos históricos importantes dos Estados Unidos, incluindo exemplares da Declaração de Independência e da Constituição.
O presidente americano afirmou ainda que pretende mostrar ao líder chinês objetos relacionados a antigos intercâmbios culturais entre os dois países, reforçando o caráter simbólico da visita.
A recepção preparada para Xi também chama atenção pelo nível de protocolo e pela participação direta de Trump. O presidente americano foi pessoalmente à Base Conjunta Andrews para receber o líder chinês, gesto considerado incomum na diplomacia presidencial dos Estados Unidos.
Expectativa é por estabilidade
Apesar da dimensão da cúpula, analistas consultados pela imprensa internacional não projetam necessariamente grandes acordos imediatos. A expectativa principal é que os dois governos consigam manter abertas as linhas de diálogo e evitar uma nova escalada nas disputas comerciais e tecnológicas.
O encontro entre Trump e Xi acontece, portanto, em um momento em que interesses econômicos e estratégicos se cruzam como poucas vezes. De um lado, Washington busca avanços comerciais e maior acesso a mercados; do outro, Pequim tenta preservar seus interesses econômicos e tecnológicos. Entre negociações, divergências e gestos diplomáticos, a reunião mostra que as decisões tomadas pelas duas potências ultrapassam suas próprias fronteiras e podem produzir efeitos em diferentes partes do mundo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













