Conhecido como “El Tuli”, narcotraficante era apontado como operador financeiro do cartel e mentor de ataques após morte do líder do grupo.
A escalada de violência no México ganhou um novo capítulo nesta semana. Autoridades confirmaram a morte de “El Tuli”, apontado como braço direito de “El Mencho”, durante um confronto com forças de segurança no estado de Jalisco. A operação ocorre em meio à tensão provocada pela recente morte do chefe do cartel e pela sequência de ataques registrados na região.
Segundo o Ministério da Defesa mexicano, o narcotraficante foi localizado no domingo em uma pequena cidade a cerca de 180 quilômetros a sudoeste de Guadalajara. Ao tentar fugir de carro, ele teria atacado os agentes que realizavam a operação e acabou morto no confronto.
Operador financeiro e mentor de ataques
Identificado como um dos principais articuladores do Cartel Jalisco Nueva Generación, “El Tuli” era considerado não apenas o braço direito de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, mas também seu principal operador financeiro.
De acordo com o Ministério da Defesa, ele teria ordenado uma série de bloqueios de estradas, incêndios criminosos e ataques a prédios públicos em Jalisco após a morte do líder do cartel. A ofensiva espalhou medo e paralisou trechos importantes do estado.
O ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, afirmou que as autoridades já monitoravam possíveis reações internas do grupo criminoso. Segundo ele, há vigilância específica sobre diversos líderes da organização para evitar novas ondas de violência.
Operação com apoio internacional
A morte de “El Mencho” ocorreu durante uma operação militar em Tapalpa, no estado de Jalisco, também no domingo. Na ação, além do líder do cartel, outros oito integrantes do grupo foram mortos. Autoridades confirmaram que a operação contou com apoio de inteligência dos Estados Unidos.
Um oficial de defesa norte-americano afirmou que uma força-tarefa interinstitucional dos EUA teve participação na ação, reforçando o caráter internacional do combate às organizações criminosas que atuam no tráfico de drogas.
Tensão e possível reconfiguração do cartel
Especialistas avaliam que a morte de dois nomes centrais do cartel em curto intervalo pode provocar uma disputa interna por poder, aumentando o risco de novos confrontos. O histórico do grupo mostra que mudanças na liderança costumam vir acompanhadas de demonstrações de força.
Enquanto o governo mexicano reforça a vigilância e promete endurecer as ações contra o crime organizado, a população de Jalisco e de outras regiões afetadas ainda vive sob o impacto dos ataques recentes. O episódio expõe, mais uma vez, o desafio permanente do Estado mexicano em conter organizações criminosas com forte estrutura financeira, logística e armada, capazes de reagir rapidamente às investidas das autoridades.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













