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Número de mortos em terremotos na Venezuela sobe para 589 enquanto milhares ainda são procurados sob os escombros

Tragédia provocada por dois terremotos históricos já deixou milhares de feridos, dezenas de milhares de desaparecidos e mobiliza uma das maiores operações humanitárias internacionais dos últimos anos.

Quando a terra treme, ela não destrói apenas prédios e estradas. Ela interrompe histórias, separa famílias e transforma, em poucos segundos, a vida de milhares de pessoas. Na Venezuela, o cenário é de profunda dor e incerteza após os dois terremotos que atingiram o país nesta semana e deixaram, até o momento, 589 mortos, milhares de feridos e um número ainda indefinido de desaparecidos.

A atualização foi divulgada nesta sexta-feira (26) pela presidente venezuelana, Delcy Rodríguez, durante reunião com autoridades militares e representantes civis transmitida pela televisão estatal. Segundo o balanço oficial mais recente, quase 3 mil pessoas ficaram feridas, enquanto organizações civis e autoridades admitem que o número real de vítimas pode ser significativamente maior diante da dimensão da tragédia.

Corrida contra o tempo entre os escombros

As equipes de resgate seguem trabalhando em uma verdadeira corrida contra o relógio nas áreas mais afetadas. O estado de La Guaira, localizado ao norte de Caracas, concentra a maior parte da destruição, com dezenas de edifícios residenciais, hotéis e estruturas públicas reduzidos a escombros. Autoridades venezuelanas classificaram a região como “zona de desastre”, ampliando a mobilização de forças militares e equipes de emergência.

De acordo com estimativas preliminares divulgadas por plataformas criadas pela sociedade civil, mais de 40 mil pessoas podem estar desaparecidas. O governo também confirmou a ocorrência de pelo menos 214 réplicas desde os tremores principais, aumentando o risco para sobreviventes e dificultando as operações de busca.

Os terremotos mais fortes em mais de um século

Os dois terremotos, de magnitudes 7,2 e 7,5, ocorreram com apenas 39 segundos de diferença e são considerados os mais fortes registrados na Venezuela em mais de cem anos. O epicentro foi localizado próximo ao litoral norte do país, provocando destruição em áreas densamente povoadas, incluindo partes da capital, Caracas.

Especialistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alertam que o número de vítimas pode continuar crescendo substancialmente à medida que as equipes consigam acessar regiões isoladas e retirar pessoas presas sob os escombros. As estimativas iniciais apontam que milhões de venezuelanos podem ter sido afetados direta ou indiretamente pelo desastre.

Mobilização internacional sem precedentes

A dimensão da tragédia desencadeou uma ampla mobilização internacional. A Suíça enviará cerca de 80 especialistas em resgate, enquanto a Alemanha disponibilizou aeronaves militares para transporte de equipes e equipamentos. Os Países Baixos mobilizaram socorristas, cães farejadores e ajuda financeira emergencial.

O Brasil autorizou o envio de uma missão humanitária a bordo de uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira, levando especialistas em busca e resgate urbano, bombeiros, profissionais de saúde e equipamentos de apoio. A Organização das Nações Unidas coordena a chegada de dezenas de equipes internacionais de salvamento.

Também anunciaram apoio os Estados Unidos, que prometeram US$ 150 milhões em assistência, além de países como México, Colômbia, Espanha, França, Itália, Índia, Equador, El Salvador, Panamá e República Tcheca, que enviam bombeiros, médicos, hospitais de campanha e equipamentos especializados.

Enquanto escavadeiras, cães farejadores e milhares de voluntários seguem procurando sinais de vida sob toneladas de concreto, a Venezuela enfrenta não apenas uma das maiores tragédias naturais de sua história, mas também um doloroso teste de resistência humana. A cada pessoa resgatada, renasce a esperança. A cada nome confirmado entre as vítimas, cresce a lembrança de que, diante da força imprevisível da natureza, a solidariedade continua sendo a resposta mais poderosa que a humanidade pode oferecer.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução

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