Invicta na fase de grupos e dona de um futebol veloz e coletivo, a seleção japonesa chega embalada para enfrentar o Brasil nos 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026.
O próximo desafio do Brasil na Copa do Mundo promete ser muito mais complexo do que o retrospecto histórico pode sugerir. A seleção do Japão chega ao mata-mata embalada por uma campanha consistente, marcada por organização tática, velocidade e um futebol coletivo que tem chamado a atenção no torneio. Depois de garantir a classificação ao empatar em 1 a 1 com a Suécia, os japoneses terão pela frente a Seleção Brasileira na próxima segunda-feira (29), no NRG Stadium, em Houston, às 14h (horário de Brasília).
Este será apenas o segundo encontro entre brasileiros e japoneses em Copas do Mundo. O primeiro aconteceu em 2006, na Alemanha, quando o Brasil venceu por 4 a 1. Vinte anos depois, porém, o cenário é bastante diferente: os Samurais Azuis chegam mais experientes, competitivos e respaldados por uma geração que atua nas principais ligas da Europa.
O trabalho de Hajime Moriyasu
Grande parte do sucesso japonês passa pelo comando de Hajime Moriyasu. No cargo desde 2018, após a Copa da Rússia, o treinador consolidou um modelo de jogo baseado em intensidade, movimentação constante e forte disciplina tática.
Mesmo desfalcado de jogadores importantes, como o capitão Wataru Endo, lesionado, e do atacante Takefusa Kubo, que ainda se recupera de contusão sofrida na estreia, Moriyasu conseguiu montar uma equipe competitiva, capaz de pressionar adversários fortes e manter alto nível de desempenho.
A campanha japonesa até aqui inclui empate contra a Holanda, goleada por 4 a 0 sobre a Tunísia e igualdade diante da Suécia, resultados que consolidaram a equipe na segunda colocação do Grupo F.
Zion Suzuki: segurança no gol
Zion Suzuki, de apenas 23 anos, tornou-se uma das grandes revelações da Copa do Mundo. Nascido nos Estados Unidos, filho de pai ganês e mãe japonesa, o goleiro do Parma, da Itália, vem demonstrando personalidade e reflexos decisivos.
Contra a Suécia, Suzuki realizou importantes defesas diante de atacantes como Alexander Isak e Anthony Elanga, sendo fundamental para a classificação japonesa. Sua capacidade de reação e o bom jogo com os pés são características que têm chamado a atenção dos analistas.
Daichi Kamada: o cérebro do meio-campo
Daichi Kamada assumiu protagonismo ainda maior após a ausência de Wataru Endo. Atuando pelo Crystal Palace, da Inglaterra, o meia tornou-se o principal articulador do Japão.
Responsável por controlar o ritmo das partidas e acelerar as transições ofensivas, Kamada já marcou dois gols nesta Copa, contra Holanda e Tunísia, consolidando-se como uma das referências técnicas da equipe.
Keito Nakamura: velocidade e criatividade
Aos 25 anos, Keito Nakamura é um dos jogadores mais perigosos do setor ofensivo japonês. O atleta do Stade de Reims, da França, combina velocidade, drible curto e inteligência tática.
Na atual edição da Copa, ele já marcou contra a Holanda e distribuiu assistência diante da Tunísia. Sua capacidade de atacar os espaços e criar superioridade numérica pode representar um dos maiores desafios para a defesa brasileira.
Ritsu Doan: talento e visão de jogo
O camisa 10 Ritsu Doan vem sendo um dos destaques técnicos do torneio. Atuando pelo Eintracht Frankfurt, da Alemanha, o meia canhoto se destaca pela capacidade de articulação e pela leitura de jogo.
Foi dele uma das assistências mais elogiadas da Copa até agora, ao encontrar Maeda nas costas da defesa sueca. Sua movimentação pelo lado direito e as infiltrações pelo centro exigirão atenção especial da marcação brasileira.
Ayase Ueda: o homem-gol dos Samurais Azuis
No comando do ataque está Ayase Ueda, principal referência ofensiva da equipe. O centroavante do Feyenoord, da Holanda, marcou 26 gols na temporada europeia e já balançou as redes duas vezes nesta Copa.
Além do faro de gol, Ueda se destaca pela movimentação constante, pela capacidade de abrir espaços para os companheiros e pelo forte jogo aéreo, características que prometem testar a dupla de zaga brasileira.
Um adversário que exige atenção
A seleção japonesa chega ao confronto contra o Brasil carregando uma combinação que costuma ser decisiva em torneios eliminatórios: organização, confiança e talento individual. Se no passado o Japão era visto como uma equipe tecnicamente limitada diante das grandes potências, hoje se apresenta como uma seleção madura, competitiva e capaz de desafiar qualquer adversário. Para o Brasil, o duelo de segunda-feira representa mais do que um passo rumo às oitavas de final: será um teste importante de concentração, estratégia e capacidade de adaptação diante de uma das seleções que mais evoluíram no futebol mundial nas últimas décadas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Getty Images













