Teerã afirma que intervenção militar norte-americana compromete a segurança da principal rota de petróleo do mundo; tensão aumenta com lançamento de mísseis contra base dos EUA na Jordânia.
A crise entre Irã e Estados Unidos ganhou novos desdobramentos nesta quinta-feira (9), elevando ainda mais a tensão no Oriente Médio. Enquanto acusa Washington de comprometer a reabertura gradual do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do planeta, o governo iraniano também assumiu a autoria de um ataque com mísseis contra uma base militar americana na Jordânia, ampliando o risco de uma escalada no conflito.
Os episódios ocorrem em meio à intensificação das operações militares na região e às tentativas da comunidade internacional de evitar um confronto ainda maior entre as duas potências.
Irã faz alerta sobre o Estreito de Ormuz
Em comunicado divulgado nesta quinta-feira, a Marinha da Guarda Revolucionária do Irã afirmou que as recentes operações militares dos Estados Unidos e a tentativa de redirecionar o tráfego marítimo prejudicam o processo de reabertura gradual do Estreito de Ormuz.
Segundo os militares iranianos, países estrangeiros “não têm qualquer interesse nesta terra ou no Estreito de Ormuz” e qualquer interferência nas rotas de navegação receberá uma resposta firme.
O comunicado também estabelece que embarcações que pretendam cruzar a região deverão obter autorização da Marinha da Guarda Revolucionária, obedecendo rigorosamente aos protocolos de segurança impostos por Teerã.
Além disso, o Irã advertiu que qualquer nova intervenção militar americana poderá provocar uma “resposta esmagadora”.
Nova tentativa de negociação
Apesar do aumento da tensão, há esforços diplomáticos para retomar o diálogo entre Washington e Teerã.
Segundo fontes regionais, Paquistão e Catar estão atuando para recolocar os dois países na mesa de negociações. As duas nações participaram da mediação das conversas realizadas na Suíça, que resultaram em um acordo provisório firmado em meados de junho.
Omã também segue participando das iniciativas diplomáticas e já havia desempenhado papel importante em rodadas anteriores de negociação.
Ataque contra base dos EUA na Jordânia
Também nesta quinta-feira, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou ter lançado dez mísseis balísticos contra a Base Aérea Muwaffaq Salti, conhecida como Base de Azraq, no norte da Jordânia, onde forças americanas mantêm presença militar.
Segundo o governo iraniano, a ação foi uma resposta às recentes ofensivas conduzidas pelos Estados Unidos.
Em comunicado, o IRGC afirmou que, caso Washington volte a atacar alvos iranianos, outras bases militares americanas espalhadas pela região também poderão ser atingidas.
Jordânia diz que interceptou todos os mísseis
O governo da Jordânia informou que os dez mísseis foram interceptados antes de atingir o alvo.
De acordo com o porta-voz Mohammad Al-Momani, não houve registro de mortos, feridos ou danos materiais.
Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que as Forças Armadas jordanianas permanecem em estado máximo de alerta e preparadas para responder a qualquer ameaça contra o território nacional.
Conflito segue em escalada
Enquanto as ofensivas militares continuam e as ameaças entre Irã e Estados Unidos se intensificam, cresce a preocupação internacional com os impactos do conflito sobre a segurança regional e a economia global. O Estreito de Ormuz continua sendo um ponto estratégico para o transporte mundial de petróleo, e qualquer interrupção prolongada em suas operações pode provocar reflexos imediatos no mercado internacional de energia e ampliar a instabilidade no Oriente Médio.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













