Representante comercial da Casa Branca afirma que recomendação final já foi entregue a Donald Trump. Apesar do fim das negociações, governo brasileiro ainda espera reduzir os impactos sobre as exportações.
As relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos enfrentam um dos momentos mais delicados dos últimos anos. O governo norte-americano confirmou que as negociações sobre o novo pacote de tarifas contra produtos brasileiros chegaram ao fim e que a recomendação final já foi encaminhada ao presidente Donald Trump. Mesmo diante do cenário desfavorável, autoridades brasileiras ainda mantêm expectativa de que mais produtos escapem da taxação.
A informação foi repassada pelo chefe do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, durante reunião virtual realizada nesta terça-feira (14) com integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo relatos de participantes do encontro, Greer informou que sua recomendação sobre o novo tarifaço já foi entregue à Casa Branca e considerou encerrada a fase de negociações.
Governo brasileiro rebate críticas
Durante a reunião, Greer teria criticado o que classificou como falta de empenho do governo brasileiro nas negociações.
A avaliação, porém, foi imediatamente contestada por representantes do Brasil, entre eles o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, além dos embaixadores Maurício Lyrio, um dos principais negociadores do Itamaraty, e Audo Faleiro, assessor internacional da Presidência da República.
As autoridades brasileiras argumentaram que os Estados Unidos não apresentaram fundamentos técnicos consistentes para justificar a investigação conduzida com base na Seção 301 da legislação comercial americana. Entre os pontos questionados estão alegações relacionadas ao aumento do desmatamento na Amazônia, argumento que, segundo os negociadores brasileiros, não encontra respaldo nos indicadores mais recentes.
Proposta sobre etanol foi rejeitada
Os representantes brasileiros também lembraram que colocaram sobre a mesa uma proposta de redução das tarifas de importação sobre o etanol americano em troca de maior acesso do açúcar brasileiro ao mercado dos Estados Unidos.
Segundo os relatos, a proposta foi descartada pelo USTR, que não demonstrou interesse em discutir esse tipo de compensação comercial.
Possibilidade de mais produtos ficarem de fora
Embora tenha afirmado que não haverá uma “lista dinâmica” de exceções, mecanismo que permitiria ampliar gradualmente os produtos isentos após a entrada em vigor das tarifas, Jamieson Greer sinalizou que poderá haver uma ampliação das exceções já no anúncio oficial das medidas.
Durante a reunião, integrantes do governo brasileiro destacaram que boa parte das exportações do país para os Estados Unidos é formada por peças, componentes e produtos industrializados fabricados no Brasil por subsidiárias de empresas americanas, que abastecem suas próprias matrizes em território norte-americano.
Segundo fontes ouvidas pela CNN, esse argumento foi recebido de forma positiva pelo representante comercial dos Estados Unidos, aumentando a expectativa de que parte desses produtos seja poupada do novo tarifaço.
Impacto nas exportações
Pelos cálculos atuais do governo brasileiro, as novas tarifas poderão atingir cerca de 21% das exportações nacionais destinadas ao mercado americano, considerando o valor financeiro das vendas.
Ainda assim, integrantes da equipe econômica avaliam que uma eventual ampliação da lista de exceções poderá reduzir significativamente esse impacto sobre a indústria e o comércio exterior brasileiros.
Ao final da reunião, Jamieson Greer sinalizou que, apesar do encerramento formal das negociações, os canais de diálogo permanecerão abertos. Antes do término do encontro, representantes brasileiros reforçaram a disposição de continuar buscando uma solução negociada, resumida em uma frase dirigida aos americanos: “Nós estamos aqui.”
Em um cenário de crescente tensão comercial entre duas das maiores economias do continente, os próximos dias serão decisivos para empresas, exportadores e trabalhadores que dependem desse fluxo de negócios. Mais do que uma disputa tarifária, a decisão poderá influenciar investimentos, competitividade e a relação econômica entre Brasil e Estados Unidos nos próximos anos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CNN Brasil













