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Ala econômica do PT defende controle de gastos e ajuste gradual em eventual quarto mandato de Lula

Grupo ligado ao governo busca consolidar uma política de responsabilidade fiscal sem reduzir o tamanho do Estado e enfrenta resistência de setores históricos do partido.

A poucos meses do início oficial da campanha eleitoral, o debate sobre os rumos da economia volta a ganhar protagonismo dentro do Partido dos Trabalhadores. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda concentra esforços na atual gestão, integrantes da equipe econômica e economistas ligados ao governo já discutem quais diretrizes poderiam orientar um eventual quarto mandato presidencial.

A proposta defendida por esse grupo busca equilibrar responsabilidade fiscal e manutenção das políticas públicas. A ideia é controlar o crescimento dos gastos obrigatórios, estabilizar a trajetória da dívida pública e reduzir gradualmente o déficit das contas do governo, sem abrir mão da atuação do Estado como indutor do desenvolvimento econômico e social.

Grupo defende ajuste gradual das contas públicas

Segundo integrantes das discussões internas, o objetivo não é promover cortes bruscos ou diminuir a presença do Estado na economia, mas criar condições para que as contas públicas caminhem em direção ao equilíbrio.

Entre as metas discutidas está a redução gradual do déficit fiscal, atualmente estimado em cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), até alcançar déficit zero. Paralelamente, a intenção é conter o avanço da relação entre a dívida pública e o PIB, considerada uma das principais preocupações do mercado financeiro.

Os economistas envolvidos afirmam que não existe, dentro desse grupo, qualquer disposição de permitir que a dívida pública continue crescendo indefinidamente. Pelo contrário, o foco das conversas tem sido justamente encontrar mecanismos capazes de desacelerar essa trajetória.

Atualmente, a relação dívida/PIB gira em torno de 81%, percentual superior ao registrado no início do primeiro mandato de Lula, em 2003, quando o indicador estava próximo de 71%.

Mercado cobra detalhes sobre plano econômico

Embora a sinalização de responsabilidade fiscal tenha sido bem recebida em parte do mercado, investidores e agentes econômicos ainda demonstram cautela.

Segundo interlocutores envolvidos nas conversas, a principal dúvida está na execução das propostas. Ainda não há definição clara sobre quais medidas concretas seriam adotadas para atingir as metas de controle dos gastos e estabilização da dívida.

Essa indefinição também reflete divergências dentro do próprio PT.

Uma ala histórica do partido resiste à adoção de mudanças consideradas mais rigorosas na política fiscal. Entre as vozes desse grupo está o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli, que recentemente apresentou propostas para um eventual plano econômico de um futuro governo petista, mas acabou sendo desautorizado pela coordenação da campanha.

Economistas ligados ao governo lideram debate

As discussões são conduzidas principalmente por economistas que integram o atual governo e que têm como principal referência o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Na avaliação desse grupo, a linha econômica defendida já representa o pensamento predominante dentro da campanha, do governo e de boa parte da direção nacional do PT.

Ainda assim, os próprios interlocutores reconhecem que qualquer decisão dependerá da palavra final do presidente Lula, que continuará sendo o principal responsável pela definição das diretrizes econômicas de um eventual novo mandato.

Programas sociais seriam preservados

Outro ponto considerado central nas discussões é a preservação das políticas sociais.

Segundo integrantes do grupo, não há previsão de cortes em programas destinados à população mais vulnerável. A proposta seria controlar o ritmo de crescimento dessas despesas para que elas permaneçam compatíveis com a capacidade financeira do governo e permitam ampliar investimentos públicos.

Entre as alternativas estudadas estão ajustes nos critérios de elegibilidade de alguns programas sociais e eventuais revisões nos valores de determinados benefícios, medidas que já chegaram a ser debatidas durante o atual governo, mas que nunca foram implementadas.

Os defensores da proposta argumentam que essa estratégia diferencia o projeto econômico do PT das propostas apresentadas por setores da oposição, que, segundo eles, defendem uma redução mais acelerada da participação do Estado na economia.

À medida que a disputa eleitoral se aproxima, a economia tende a ocupar novamente o centro do debate político. Mais do que promessas de campanha, os eleitores estarão atentos à forma como cada projeto pretende conciliar responsabilidade fiscal, crescimento econômico e proteção social, temas que influenciam diretamente a vida de milhões de brasileiros e o futuro das contas públicas do país.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Ricardo Stuckert/Presidência da República

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