Durante cerimônia em Santa Catarina, presidente afirmou que o Brasil não busca conflitos, mas precisa estar preparado para proteger sua soberania diante de um cenário internacional cada vez mais instável.
Em meio ao aumento das tensões internacionais e à multiplicação de conflitos em diferentes regiões do planeta, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o fortalecimento da capacidade de defesa brasileira. Durante a cerimônia de comissionamento da Fragata “Cunha Moreira”, realizada nesta sexta-feira (26), em Itajaí, Santa Catarina, o presidente afirmou que o Brasil não deseja entrar em guerras, mas também não pode correr o risco de ser surpreendido em um cenário global cada vez mais imprevisível.
“Eu não quero guerra, mas eu também não quero ser pego de surpresa. Eu não quero constatar que eu não tenho nada. Eu tenho que me cuidar”, declarou Luiz Inácio Lula da Silva durante o evento que marcou a incorporação da nova embarcação à Marinha do Brasil.
Referência histórica e crítica a Trump
Ao abordar a importância da preparação militar, Lula fez referência à invasão do território brasileiro durante a Guerra do Paraguai, iniciada em 1864 sob o comando de Francisco Solano López. Na sequência, o presidente utilizou um tom crítico ao comentar declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Está cheio de maluco no mundo. Está cheio de ‘nego’ maluco no mundo. Agora mesmo o presidente americano quer tomar a Groenlândia, vai virar estado dele, quer tomar o Canal do Panamá. Onde é que nós estamos?”, questionou o presidente brasileiro.
A declaração faz referência a manifestações anteriores de Trump sobre interesses estratégicos dos Estados Unidos em relação à Groenlândia e ao Canal do Panamá, temas que provocaram repercussão internacional.
Mundo vive cenário de crescente instabilidade
Durante o discurso, Lula afirmou que o atual cenário internacional registra uma das maiores concentrações de conflitos desde o fim da Segunda Guerra Mundial. O presidente argumentou que, diante desse contexto, o Brasil precisa investir em planejamento estratégico e fortalecimento de suas capacidades de defesa.
“Temos que entender que ninguém respeita quem não se respeita. Se nós, brasileiros, não nos respeitarmos, quem vai nos respeitar?”, afirmou.
Segundo Lula, o fortalecimento das Forças Armadas não deve ser interpretado como uma intenção bélica, mas como um instrumento de preservação da soberania nacional e de proteção do território brasileiro.
Defesa da soberania nacional
O presidente também revelou que tem discutido com os comandantes militares a necessidade de construir um projeto estratégico de longo prazo para a defesa nacional.
“Nós não queremos brigar com ninguém, não queremos invadir ninguém, não queremos romper com ninguém, mas estaremos preparados para defender os nossos oito milhões e meio de quilômetros quadrados”, declarou.
A cerimônia de incorporação da Fragata “Cunha Moreira” ocorre em um momento em que diversos países vêm ampliando investimentos militares e reforçando políticas de segurança diante do agravamento de conflitos regionais e disputas geopolíticas.
As declarações de Lula refletem um debate que tem ganhado força em diferentes partes do mundo: como equilibrar diplomacia, soberania e capacidade de defesa em um cenário internacional marcado por incertezas crescentes. Em um ambiente global cada vez mais polarizado e imprevisível, a discussão sobre preparação militar deixa de ser apenas uma questão estratégica e passa a representar, para muitos países,
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Canal Gov













