Ação integrada identificou esquema de recebimento e distribuição de drogas sintéticas na capital; investigação aponta alto potencial de lucro com a comercialização de MDMA.
Uma operação integrada entre as forças de segurança revelou mais uma faceta do avanço do tráfico de drogas sintéticas em Porto Velho. Em uma ação coordenada entre o Departamento de Narcóticos (Denarc) da Polícia Civil de Rondônia e a Receita Federal, dois homens foram presos em flagrante e diversas substâncias ilícitas, além de dinheiro e outros materiais, foram apreendidos nesta sexta-feira durante uma investigação que vinha sendo monitorada há semanas.
A operação teve início após a Receita Federal identificar uma remessa suspeita contendo droga sintética enviada por transportadora. A partir daí, foi realizada uma entrega monitorada, que levou os investigadores até o bairro Costa e Silva, na zona norte da capital, onde funcionaria um esquema de recebimento e distribuição de entorpecentes.
Investigação levou a distribuidora de bebidas
Segundo as investigações, o principal alvo da operação, proprietário de uma distribuidora de bebidas, utilizaria o estabelecimento como ponto de apoio para a comercialização e armazenamento de drogas sintéticas.
As informações levantadas pela Delegacia da Receita Federal em Porto Velho foram compartilhadas com o Núcleo de Inteligência do Denarc, permitindo o acompanhamento da encomenda suspeita até o momento da entrega.
No instante em que a remessa foi recebida, os policiais abordaram o destinatário, que, conforme consta na investigação, admitiu ter conhecimento do conteúdo ilícito da encomenda. Ele teria informado ainda que recebia a droga a pedido do principal investigado, mediante pagamento pelo serviço prestado. O suspeito foi preso em flagrante.
Suspeito tentou fugir e policial foi atacado por pitbull
Após a primeira prisão, as equipes seguiram para a distribuidora investigada com o objetivo de localizar e prender o principal alvo da operação.
Durante a abordagem, segundo a Polícia Civil, o suspeito reagiu, empurrou agentes e tentou fugir para a residência anexa ao estabelecimento comercial. Na tentativa de contê-lo, um policial civil foi atacado por um cão da raça pitbull e sofreu lesões no braço esquerdo.
Apesar da resistência e do ataque sofrido pelo agente, o investigado foi alcançado e preso em flagrante pelas equipes.
Drogas sintéticas e outros materiais foram apreendidos
Durante as buscas realizadas no imóvel, os policiais apreenderam aproximadamente 104 gramas de droga sintética do tipo MDMA, acondicionada em embalagem plástica transparente, além de cerca de 25 gramas de maconha do tipo skunk armazenada em um recipiente plástico.
Também foram apreendidos 19 maços de cigarros, totalizando 190 carteiras, R$ 740 em espécie e dois aparelhos celulares, que serão analisados durante a continuidade das investigações.
De acordo com estimativas apresentadas pelos investigadores, a quantidade de MDMA apreendida poderia ser fracionada em centenas de doses, ultrapassando mil porções destinadas à comercialização ilícita, dependendo do grau de pureza da substância.
Alto potencial de lucro
Levantamentos utilizados pela investigação indicam que cada dose de MDMA pode alcançar valores próximos a R$ 300 no varejo do tráfico de drogas, especialmente em ambientes festivos e entre consumidores jovens.
Esse elevado potencial financeiro ajuda a explicar o crescimento das organizações criminosas voltadas ao tráfico de drogas sintéticas, cuja comercialização vem se tornando uma preocupação crescente para as autoridades de segurança pública em todo o país.
Operação integra programa nacional de combate ao crime organizado
Os dois presos foram encaminhados para a sede do Denarc, onde permaneceram à disposição da Justiça.
A operação foi realizada no âmbito do Programa Brasil Contra o Crime Organizado, durante as operações NARKE 6, AMAS e PROTETOR DAS FRONTEIRAS, coordenadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com participação da Coordenação-Geral de Fronteiras (CGFRON), da Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência (DIOPI) e da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP).
A ação conjunta evidencia a crescente sofisticação das rotas e métodos utilizados pelo tráfico de drogas sintéticas no Brasil. Mais do que apreender substâncias e prender suspeitos, operações como essa buscam interromper cadeias criminosas que movimentam grandes quantias de dinheiro e atingem, principalmente, públicos cada vez mais jovens, reforçando o desafio permanente das forças de segurança no enfrentamento ao crime organizado.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Rondoniagora













