Tiago Cesar assume a coordenação da comunicação da campanha à reeleição do presidente, enquanto o PT prepara uma estratégia para destacar indicadores da FAO e reforçar a narrativa de recuperação social durante o terceiro mandato.
A corrida eleitoral de 2026 já começa a ganhar contornos cada vez mais definidos nos bastidores do Palácio do Planalto. Muito antes da propaganda oficial chegar às ruas e às redes sociais, o governo reorganiza sua equipe de comunicação e escolhe quais resultados pretende apresentar ao eleitorado como símbolo de sua gestão. Entre eles, um dos principais será a saída do Brasil do Mapa da Fome, considerada pelo PT uma das maiores conquistas do atual mandato.
Em meio à construção dessa estratégia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promove uma mudança importante na Secretaria de Comunicação Social (Secom). O secretário-executivo Tiago Cesar dos Santos, considerado um dos principais auxiliares do ministro Sidônio Palmeira, deixa o governo para integrar a coordenação de comunicação da campanha pela reeleição.
Mudança fortalece equipe da campanha
A exoneração de Tiago Cesar, a pedido, foi publicada na edição desta quarta-feira (22) do Diário Oficial da União. Para ocupar o cargo na Secom, Lula nomeou a então chefe de gabinete da secretaria, Samara Mariana de Castro.
Com a mudança, Tiago passa a formar dupla com o marqueteiro Raul Rabelo, que já atua na pré-campanha petista. Os dois assumem funções semelhantes às desempenhadas por Sidônio Palmeira durante a campanha presidencial de 2022.
Pessoas de confiança do ministro, ambos possuem experiência em publicidade e marketing político na Bahia. Sidônio, por sua vez, permanece no comando da Secom até o fim do governo por decisão do próprio presidente Lula.
Comunicação digital ganhou força no governo
Graduado e mestre em Administração, Tiago Cesar construiu carreira no marketing privado, em campanhas eleitorais e também no Esporte Clube Bahia, onde atua como conselheiro e participou de iniciativas voltadas às ações afirmativas do clube.
Na Secom, foi um dos responsáveis pela reformulação da estratégia de comunicação do governo federal. Sob sua gestão, o investimento em publicidade digital passou de 10% para 30% do orçamento da secretaria, ampliando o alcance das campanhas institucionais e fortalecendo a presença do governo nas redes sociais.
Também participou da mudança do slogan oficial do governo, que deixou de utilizar “União e Reconstrução” para adotar “Governo do Brasil, do lado do povo brasileiro”, mensagem que passou a enfatizar temas ligados à soberania nacional e à defesa dos interesses brasileiros diante das tensões comerciais com os Estados Unidos.
Essa narrativa ganhou força após as tarifas impostas pelo presidente norte-americano Donald Trump sobre produtos brasileiros e deverá voltar a ocupar espaço central durante a campanha à reeleição.
Saída do Mapa da Fome será um dos principais discursos
Além da estratégia de comunicação, a campanha petista prepara outro eixo considerado fundamental para o debate eleitoral: a divulgação dos resultados sociais obtidos durante o terceiro mandato de Lula.
Entre eles está a saída do Brasil do Mapa da Fome, confirmada pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), com base nos indicadores referentes ao triênio de 2023 a 2025.
O governo pretende destacar que o país voltou a integrar o Mapa da Fome durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, no período de maior impacto da pandemia de Covid-19, e voltou a deixar a lista sob a atual administração.
Segundo os dados divulgados pela FAO, o Brasil registrou índice de 0,6% de insegurança alimentar severa, o menor da série histórica e abaixo do limite de 2,5% estabelecido pelo organismo internacional para que um país permaneça fora da classificação.
No levantamento referente ao período de 2020 a 2022, esse percentual era de 8,5% da população, equivalente a aproximadamente 17,9 milhões de brasileiros em situação de subnutrição.
A primeira vez que o Brasil deixou o Mapa da Fome ocorreu em 2014, durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. Anos depois, o país voltou à classificação em razão dos impactos econômicos e sociais provocados pela pandemia.
Comunicação e resultados entram no centro da disputa
Com a reorganização da equipe de comunicação e a definição dos principais temas que serão apresentados ao eleitorado, o governo dá os primeiros passos na construção da narrativa que pretende defender durante a campanha presidencial. Mais do que slogans e estratégias de marketing, a disputa deverá girar em torno da interpretação dos resultados econômicos e sociais do país. E, como acontece em toda eleição, caberá aos brasileiros analisar os fatos, confrontar os discursos e decidir, nas urnas, qual projeto acreditam ser o mais capaz de conduzir o futuro do Brasil.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Ricardo Stuckert/PR













