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Campanha de Flávio teme reação de STF e PF antes das eleições

Aliados do senador avaliam que o agravamento da crise no Supremo pode abrir espaço para novas investigações ou medidas com potencial de atingir a candidatura até a votação.

A escalada da crise dentro do Supremo Tribunal Federal começa a provocar preocupação também no cenário eleitoral. A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, teme que novas decisões ou investigações envolvendo ministros do STF e a Polícia Federal possam atingir o candidato antes das eleições de 2026.

Nos bastidores, a avaliação de aliados é de que uma ala da Corte poderia tentar recuperar espaço político diante do desgaste provocado pelos recentes conflitos entre ministros. Para o grupo, qualquer nova medida envolvendo Flávio poderia ter impacto direto sobre uma disputa presidencial que aparece cada vez mais acirrada nas pesquisas.

Crise no STF aumenta tensão eleitoral

A preocupação ganhou força após a decisão do ministro Flávio Dino de reintegrar Andrei Rodrigues ao comando da Polícia Federal, em meio ao embate com André Mendonça e outros integrantes da Corte.

Na avaliação da campanha de Flávio, o episódio reforçou a percepção de que novas medidas podem surgir a partir de investigações que já estão em andamento. O receio é de que eventuais decisões judiciais ou operações policiais sejam interpretadas como uma reação ao crescimento eleitoral do senador.

Um interlocutor ligado a Flávio afirmou, segundo a CNN, acreditar que poderá haver algum tipo de ação contra o candidato. A avaliação, entretanto, representa uma leitura política do grupo e não significa que exista, até o momento, uma decisão oficial ou investigação anunciada especificamente com o objetivo de atingir a candidatura.

Pesquisa aumenta preocupação

O ambiente eleitoral também contribui para o alerta dentro da campanha. O crescimento de Flávio nas pesquisas e a redução da distância para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformaram a disputa presidencial em um cenário mais competitivo.

Em levantamento Meio/Ideia divulgado nesta quarta-feira (9), Lula e Flávio aparecem empatados com 46% das intenções de voto em uma simulação de segundo turno.

É justamente nesse contexto que aliados do senador enxergam maior risco político. A avaliação é de que qualquer investigação, operação ou decisão envolvendo Flávio poderia produzir efeitos eleitorais importantes em uma disputa que, neste momento, apresenta equilíbrio entre os dois principais nomes.

Flávio fala em uma nova “facada”

O próprio senador vem adotando um discurso de alerta. Durante o ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista, Flávio afirmou que poderia estar sendo preparada uma terceira “facada” contra o bolsonarismo.

Na interpretação apresentada pelo próprio candidato, a primeira teria sido o ataque sofrido por Jair Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018. A segunda seria a prisão do ex-presidente em 2025. A terceira, segundo Flávio, poderia atingir diretamente sua candidatura.

A declaração passou a ser vista por aliados como uma forma de antecipar uma eventual crise e criar uma espécie de proteção política diante de possíveis acontecimentos futuros.

Inquérito sobre emendas entra no radar

Um dos caminhos citados dentro da campanha envolve o inquérito relatado por Flávio Dino que apura possíveis irregularidades relacionadas ao uso de emendas parlamentares na produção do filme “Dark Horse”.

Na semana passada, a defesa da produtora responsável pela obra apresentou cerca de 21 mil páginas de documentos. Segundo informações divulgadas pela CNN, entretanto, o material não teria apresentado dados relacionados aos custos da produção nos Estados Unidos, uma das linhas de apuração da Polícia Federal.

A investigação também levantou suspeitas sobre eventual utilização de recursos solicitados por Flávio ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. Essas suspeitas ainda estão sob investigação e não representam conclusão sobre eventual prática criminosa.

Apurações no Rio também preocupam

Outro ponto mencionado por aliados envolve investigações relacionadas ao Rio de Janeiro, especialmente a ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”.

A ação discute a atuação das forças de segurança em operações realizadas nas comunidades do estado e busca estabelecer medidas para reduzir a letalidade policial. O caso também possui desdobramentos que alcançam o ambiente político fluminense.

Entre os nomes que aparecem nesse contexto estão o ex-governador Cláudio Castro e o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, ambos antigos aliados de Flávio.

Bacellar, segundo informações divulgadas no contexto das investigações, vem sendo associado a possíveis tratativas de colaboração premiada que poderiam atingir pessoas do meio político, inclusive Flávio. Até o momento, porém, eventuais acusações contra o senador precisam ser tratadas como hipótese investigativa, e não como fato comprovado.

Disputa pode ganhar novos capítulos

O que preocupa a campanha de Flávio é justamente a combinação entre uma eleição mais competitiva e uma crise institucional que parece longe de terminar. De um lado, o senador avança nas pesquisas e tenta consolidar seu nome como principal adversário de Lula. Do outro, investigações e disputas dentro das instituições podem produzir novos acontecimentos com forte repercussão política.

Até a eleição, ainda haverá tempo para que o cenário mude muitas vezes. Mas, em uma disputa que começa a se desenhar ponto a ponto, qualquer decisão judicial, investigação ou operação envolvendo os principais candidatos poderá ter um peso muito maior do que teria em uma eleição menos polarizada. E é justamente por isso que, enquanto o eleitorado se prepara para escolher seu próximo presidente, os bastidores de Brasília já vivem uma batalha em que Justiça, política e poder caminham perigosamente próximos.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Reprodução

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