Consulta realizada pelo presidente nacional do Progressistas aponta que cerca de 90% das lideranças do partido preferem manter independência na disputa pelo Palácio do Planalto. Decisão também envolve estratégia para fortalecer a bancada no Congresso.
Os bastidores da sucessão presidencial seguem em intensa movimentação, mas nem sempre as conversas resultam em alianças. Enquanto pré-candidatos buscam ampliar apoios e consolidar suas bases políticas, os partidos também fazem seus próprios cálculos, equilibrando interesses eleitorais, espaço no Congresso e estratégias para o futuro. Nesse cenário, o Progressistas (PP) caminha para adotar uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República.
O presidente nacional da legenda, senador Ciro Nogueira, deve comunicar essa posição ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante reunião prevista para esta quarta-feira (22). A tendência é que o partido não formalize apoio à pré-candidatura do parlamentar ao Palácio do Planalto.
Maioria do partido defende neutralidade
Segundo interlocutores da direção nacional do PP, Ciro Nogueira passou a terça-feira (21) consultando lideranças estaduais e dirigentes da legenda para avaliar o posicionamento do partido diante da eleição presidencial.
O resultado, de acordo com o presidente da sigla, foi claro: aproximadamente 90% das bases do Progressistas defendem que o partido permaneça neutro na disputa nacional.
Esse levantamento deverá servir como principal argumento na conversa com Flávio Bolsonaro, indicando que a decisão não reflete apenas a posição da executiva nacional, mas o entendimento predominante entre dirigentes e lideranças regionais.
Estratégia vai além da eleição presidencial
Embora aliados de Ciro Nogueira reconheçam que a relação entre ele e Flávio Bolsonaro tenha sido desgastada nos últimos anos, eles afirmam que esse não é o único motivo para a resistência ao apoio.
Nos bastidores, integrantes da legenda lembram que Ciro esperava maior solidariedade política quando foi alvo de uma operação da Polícia Federal, episódio que acabou contribuindo para o distanciamento entre os dois.
Entretanto, dirigentes ressaltam que a principal preocupação hoje é de natureza eleitoral e estratégica.
Prioridade é ampliar força no Congresso
O Progressistas trabalha para fortalecer sua participação no Legislativo por meio da federação formada com o União Brasil. A expectativa é construir uma das maiores bancadas da Câmara dos Deputados, com cerca de 120 parlamentares.
Na avaliação da direção partidária, assumir compromisso formal com uma candidatura presidencial poderia obrigar a legenda a destinar parte significativa dos recursos do fundo eleitoral para a campanha ao Planalto, reduzindo o investimento disponível para candidatos a deputado federal e estadual.
A estratégia de priorizar as eleições proporcionais também explica por que o partido abandonou, anteriormente, a possibilidade de lançar a senadora Tereza Cristina (PP-MS) como candidata à Presidência da República.
Cálculo político mira o futuro da legenda
A tendência de neutralidade mostra que, para muitos partidos, a disputa presidencial é apenas uma parte da equação eleitoral. Em um sistema político no qual a força das bancadas influencia diretamente a governabilidade, ampliar a representação no Congresso pode ser tão importante quanto participar da corrida ao Palácio do Planalto. Nos próximos meses, decisões como essa deverão redesenhar o mapa das alianças nacionais e demonstrar que, muitas vezes, os movimentos mais decisivos da política acontecem longe dos palanques e bem perto das negociações de bastidores.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Agência Senado













