Encontro da Rema TV reuniu os seis postulantes ao Palácio Rio Madeira e colocou frente a frente propostas, críticas e compromissos para áreas como saúde, segurança, infraestrutura e desenvolvimento do Estado.
Quando se trata do futuro de um estado inteiro, cada palavra dita diante do eleitor ganha um peso diferente. Em uma eleição que vai definir os rumos de Rondônia pelos próximos quatro anos, o debate não é apenas um espaço para apresentar propostas, mas também uma oportunidade para o eleitor enxergar quem está preparado para responder aos desafios que estão fora dos estúdios e dentro da vida real da população.

Na noite desta terça-feira (1º), a Rema TV, Canal 5.1, reuniu os seis candidatos ao Governo de Rondônia em um confronto marcado por propostas, cobranças e momentos de tensão. Adailton Fúria (PSD), Expedito Netto (PT), Hildon Chaves (União Progressista), Marcos Rogério (PL), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB) tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos e, ao mesmo tempo, responder aos questionamentos dos adversários.
O encontro aconteceu em uma fase decisiva da campanha, quando os candidatos já ocupam o horário eleitoral gratuito, intensificam as agendas pelo interior e pela capital e buscam conquistar principalmente o eleitor que ainda não decidiu seu voto.
Samuel e Fúria protagonizam um dos momentos mais tensos
Um dos confrontos que mais chamou atenção ocorreu entre Samuel Costa e Adailton Fúria. Samuel questionou qual seria o espaço ocupado pelo ex-senador Expedito Júnior, apontado como um dos principais articuladores da campanha de Fúria, em um eventual governo do candidato do PSD.
Fúria reagiu de forma contundente. Disse que a pergunta não fazia sentido e questionou se Samuel estaria recebendo recursos para atacá-lo. Também afirmou que Expedito Júnior e o governador Marcos Rocha são apoiadores de sua candidatura, mas não teriam cargos garantidos em um eventual governo.
Samuel insistiu na cobrança e voltou a questionar a relação de Fúria com o atual governo estadual. O embate elevou o tom do debate e trouxe para o centro da discussão um dos pontos que devem marcar a eleição: até que ponto uma eventual gestão de Fúria representaria continuidade ou mudança em relação ao grupo político que hoje comanda Rondônia.
A troca mostrou também que as alianças políticas passaram a fazer parte da disputa tanto quanto as propostas de governo. E, diante das câmeras, os candidatos foram obrigados a responder não apenas sobre aquilo que pretendem fazer, mas também sobre as pessoas que estarão ao seu lado caso cheguem ao Palácio Rio Madeira.
Hildon coloca a saúde no centro e promete novo João Paulo II
Entre os temas que mais tocaram diretamente a vida da população esteve a saúde pública. E foi nesse campo que Hildon Chaves buscou apresentar uma das propostas mais objetivas de sua campanha: a construção de um novo Hospital João Paulo II.
O ex-prefeito de Porto Velho reafirmou o compromisso de construir a nova unidade hospitalar do zero e entregá-la em dois anos e meio, caso seja eleito governador.
A promessa não veio apenas acompanhada de um prazo. Hildon utilizou como referência uma obra que marcou sua passagem pela Prefeitura de Porto Velho: a construção da nova rodoviária da capital, entregue em aproximadamente um ano e meio. A comparação foi usada pelo candidato para sustentar que o Estado precisa de planejamento, capacidade de execução e, principalmente, compromisso com prazos.
A proposta ganha força diante da importância do João Paulo II para a população de Rondônia. A unidade é referência em atendimentos de urgência, emergência e trauma e recebe pacientes de diferentes regiões do Estado, o que transforma a discussão sobre sua estrutura em um problema que vai muito além da capital.
Hildon também voltou a defender a regionalização da saúde, criticando a necessidade de pacientes percorrerem longas distâncias em busca de procedimentos que poderiam ser realizados mais próximos de suas cidades. A ideia é reduzir o que classificou como “ambulancioterapia” e ampliar a capacidade de atendimento regional.
Experiência administrativa vira principal argumento de Hildon
Ao longo do debate, Hildon buscou transformar sua experiência à frente da Prefeitura de Porto Velho em um dos principais diferenciais de sua candidatura.
A estratégia foi apresentar obras e resultados realizados na capital como demonstração de que promessas podem sair do papel quando existe planejamento e capacidade de execução.
É nesse contexto que a nova rodoviária aparece como uma espécie de cartão de visitas de sua campanha. O terminal foi entregue em dezembro de 2024, depois de uma obra que, segundo informações apresentadas pelo candidato, foi executada em cerca de um ano e meio.
Para Hildon, a experiência mostra que grandes obras não dependem apenas de discursos eleitorais, mas de projetos, recursos, articulação política e acompanhamento permanente até a entrega.
No caso do novo João Paulo II, o candidato estabeleceu um prazo ainda mais simbólico: dois anos e meio. A promessa coloca a saúde no centro de seu projeto para o Estado e cria também uma cobrança futura sobre a capacidade de transformar o compromisso eleitoral em uma obra concreta.
Marcos Rogério aposta em segurança, saúde regionalizada e infraestrutura
Marcos Rogério também concentrou sua participação em temas diretamente ligados às principais preocupações dos rondonienses. Na segurança pública, defendeu a convocação de aprovados em concursos vigentes da Polícia Civil e da Politec, além da realização de concurso para praças da Polícia Militar.
O candidato também propôs ampliar o policiamento escolar, a Patrulha Maria da Penha e as ações de segurança no campo.
Na saúde, Marcos Rogério defendeu que consultas, exames e cirurgias sejam ampliados nos próprios municípios para reduzir a necessidade de deslocamentos até Porto Velho. Como exemplo, citou recursos destinados por seu mandato para procedimentos realizados no interior.
Na infraestrutura, apresentou a substituição gradual das pontes de madeira por estruturas de concreto e aço e defendeu a Rodovia do Boi como alternativa à BR-364, especialmente para ampliar as possibilidades de deslocamento e escoamento da produção.
Pedro Abib leva saúde infantil para o confronto
Pedro Abib também utilizou a saúde como uma das principais frentes de questionamento durante o debate. Em um dos confrontos, direcionou críticas à situação da saúde infantil em Cacoal e associou o tema à trajetória administrativa de Adailton Fúria como ex-prefeito do município.
Fúria reagiu defendendo os resultados de sua administração e utilizando sua experiência como gestor municipal para sustentar que possui preparo para comandar o Estado.
O confronto revelou outra característica da eleição: a trajetória dos candidatos em cargos públicos passou a ser colocada sob análise pelos próprios adversários. Obras realizadas, problemas enfrentados e resultados das administrações anteriores começam a ser utilizados como argumentos para fortalecer ou enfraquecer as candidaturas.
Debate expõe diferentes caminhos para Rondônia
Com seis candidatos na disputa, o debate da Rema TV também permitiu que diferentes visões sobre o futuro de Rondônia fossem colocadas lado a lado.
Saúde, segurança, educação, infraestrutura, geração de emprego e renda, desenvolvimento regional e capacidade de investimento apareceram como questões centrais para um Estado que enfrenta desafios históricos e que, ao mesmo tempo, busca ampliar sua capacidade de crescimento.
O formato, dividido em cinco blocos, criou espaço tanto para apresentação de propostas quanto para confronto direto. É justamente essa característica que diferencia o debate da propaganda eleitoral: diante dos adversários, cada candidato precisa sustentar suas ideias, responder às críticas e mostrar como pretende transformar promessas em ações.
Eleitor ainda terá novos confrontos pela frente
O debate da Rema TV foi o segundo confronto televisionado da atual campanha e acontece em um momento em que a disputa começa a ganhar ainda mais intensidade. Os candidatos ainda terão novos encontros ao longo de setembro, além da propaganda eleitoral gratuita, entrevistas e agendas de campanha.
O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Até lá, haverá tempo para novas propostas, novos confrontos e, principalmente, para que o eleitor compare aquilo que é prometido com aquilo que já foi realizado por quem possui experiência administrativa.
No fim das contas, o debate não termina quando as câmeras são desligadas. Algumas frases permanecem, algumas promessas viram compromisso e algumas respostas ajudam o eleitor a enxergar melhor quem está pedindo seu voto. Entre farpas, números e projetos, a escolha que realmente importa continua nas mãos de quem estará diante da urna em outubro. E, para Rondônia, o que estiver em jogo será muito maior do que uma eleição: será o caminho que o Estado pretende seguir pelos próximos quatro anos.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Rema TV













