Endividamento do setor público alcança R$ 10,6 trilhões, enquanto déficits do governo federal e dos entes regionais ampliam pressão sobre as contas públicas.
Os números divulgados nesta terça-feira (30) pelo Banco Central acendem um novo alerta sobre a situação fiscal do país. A dívida pública brasileira voltou a crescer e alcançou o maior patamar dos últimos cinco anos, refletindo os desafios enfrentados pelo governo para equilibrar as contas públicas em meio a despesas elevadas e crescimento econômico moderado.
A Dívida Bruta do Governo Geral, indicador que reúne os débitos do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e dos governos estaduais e municipais, atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 10,6 trilhões. O resultado representa o maior nível registrado desde maio de 2021, quando a dívida correspondia a 81,4% do PIB.
Aumento foi de 0,9 ponto percentual em apenas um mês
De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central, a dívida avançou 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior, evidenciando a continuidade da pressão fiscal enfrentada pelo setor público brasileiro.
O crescimento do endividamento ocorre em um cenário de déficits acumulados por diferentes esferas da administração pública, aumentando a preocupação de economistas e agentes do mercado sobre a trajetória das contas públicas nos próximos anos.
Setor público registrou déficit de R$ 56,1 bilhões em maio
Em maio, o setor público consolidado: formado pela União, estados, municípios e empresas estatais, registrou déficit primário de R$ 56,1 bilhões.
Entre os principais resultados apresentados estão:
• Governo central: déficit de R$ 55,2 bilhões;
• Empresas estatais: superávit de R$ 273 milhões;
• Governos regionais (estados e municípios): déficit de R$ 1,2 bilhão.
Os números mostram que, embora as empresas estatais tenham registrado resultado positivo, os déficits do governo federal e dos entes regionais foram suficientes para ampliar o desequilíbrio fiscal do período.
Déficit acumulado supera R$ 149 bilhões em 12 meses
No acumulado dos últimos 12 meses, o setor público consolidado registra déficit de R$ 149 bilhões, montante equivalente a 1,14% do Produto Interno Bruto. O resultado supera o déficit acumulado até abril e reforça o desafio do governo em cumprir as metas fiscais estabelecidas.
O avanço da dívida pública não representa apenas um indicador econômico distante da realidade da população. Ele influencia diretamente a capacidade de investimento do país, os custos de financiamento, a confiança dos investidores e, consequentemente, o crescimento econômico e a geração de empregos. Em um cenário de contas públicas pressionadas, o equilíbrio fiscal continua sendo um dos principais desafios para garantir estabilidade e perspectivas de desenvolvimento para o Brasil.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Reprodução













