Estratégia do pré-candidato do PL busca reforçar identidade com o eleitorado de direita, responder às críticas da esquerda e ampliar diálogo com partidos de centro-direita para a disputa de 2026.
A disputa pelo Palácio do Planalto começa a ganhar novos contornos, e o embate entre patriotismo e soberania nacional promete ocupar o centro da narrativa eleitoral. De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) intensifica o discurso de defesa dos interesses do Brasil diante das pressões internacionais. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro (PL) prepara o resgate de uma das principais bandeiras do bolsonarismo para tentar fortalecer sua candidatura à Presidência da República.
A estratégia da campanha do parlamentar é retomar o patriotismo como marca política, reforçando símbolos nacionais, como a bandeira do Brasil, e um discurso voltado à valorização do país. O objetivo é consolidar a conexão com o eleitorado conservador e responder às críticas da esquerda, que passou a associar o campo bolsonarista a um suposto alinhamento excessivo aos interesses dos Estados Unidos após o tarifaço imposto pelo presidente norte-americano Donald Trump aos produtos brasileiros.
Patriotismo como marca da campanha
Integrantes do núcleo de campanha avaliam, inclusive, incorporar a referência ao patriotismo no nome da futura chapa presidencial de Flávio Bolsonaro. A ideia é recuperar um discurso que marcou o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro e que continua sendo identificado por grande parte do eleitorado de direita.
Nos bastidores, aliados acreditam que a pauta pode servir como contraponto ao discurso de soberania nacional adotado por Lula, que tem explorado o tema como um dos pilares de sua campanha à reeleição, especialmente após as recentes tensões diplomáticas envolvendo os Estados Unidos e a Argentina.
Na última semana, Donald Trump anunciou novas tarifas contra produtos brasileiros, enquanto o presidente argentino Javier Milei fez duras críticas a Lula durante a convenção nacional que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro.
Programa de governo também deve passar por ajustes
Além da retomada do patriotismo, a equipe do senador trabalha na elaboração do programa de governo, que deverá trazer propostas voltadas para ampliar o diálogo com setores moderados do eleitorado.
Entre os temas em estudo está a defesa do atual sistema eletrônico de votação e o compromisso com o respeito ao resultado das eleições. A iniciativa busca reduzir o desgaste provocado por declarações anteriores de Flávio Bolsonaro sobre as urnas eletrônicas e afastar qualquer associação com episódios de contestação ao processo eleitoral, como os atos de 8 de janeiro de 2023.
Busca por alianças segue como desafio
Enquanto ajusta o discurso e define as diretrizes de sua campanha, Flávio Bolsonaro também concentra esforços na construção de alianças políticas. Nesta semana, o senador intensificou conversas com partidos de centro-direita na tentativa de ampliar sua base de apoio.
Até o momento, no entanto, sua pré-candidatura ainda não conseguiu atrair legendas para compor oficialmente a chapa presidencial, o que torna a formação de alianças um dos principais desafios da campanha neste início da corrida eleitoral.
À medida que o calendário eleitoral avança, a disputa entre governo e oposição tende a se concentrar cada vez mais em temas ligados à identidade nacional, à economia e ao papel do Brasil no cenário internacional. Mais do que slogans, patriotismo e soberania devem se transformar em instrumentos de uma batalha política que promete marcar o debate presidencial nos próximos meses.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters- Adriano Machado













