Candidato ao Governo afirma que apenas 0,15% dos R$ 4,6 milhões previstos para a área foram executados e defende ampliação das políticas de proteção às mulheres.
A violência contra a mulher continua deixando marcas profundas em Rondônia, e os números do orçamento revelam um problema que vai além da falta de recursos: a dificuldade de transformar dinheiro previsto em ações concretas. O alerta foi feito nesta quarta-feira (19) pelo candidato ao Governo de Rondônia Hildon Chaves (Federação União Progressista), ao participar da assinatura do Pacto em Defesa da Democracia e Combate à Desinformação nas Eleições, promovido pela seccional da OAB Rondônia.
Segundo levantamento apresentado recentemente pelo Tribunal de Contas do Estado de Rondônia (TCE-RO), dos R$ 4,6 milhões destinados ao combate à violência contra a mulher, apenas R$ 6,8 mil foram efetivamente executados. O valor corresponde a somente 0,15% do total previsto no orçamento.
Hildon cobra transformação do orçamento em políticas públicas
Durante o evento, Hildon chamou atenção para a diferença entre os valores previstos e o que efetivamente chegou às ações de enfrentamento à violência contra as mulheres.
O candidato afirmou que Rondônia possui um orçamento bilionário e que, mesmo com recursos destinados especificamente à proteção das mulheres, a execução foi mínima.
“Ser gestor é fazer escolhas. Nós temos que escolher a vida, a integridade física das nossas mulheres. Nós temos que utilizar os nossos recursos com responsabilidade”, declarou.
Para Hildon, o problema não está apenas na existência ou não de dinheiro disponível, mas na capacidade de transformar os recursos públicos em políticas que tenham impacto direto na vida da população.
Rondônia teve segunda maior taxa de feminicídios do país
O alerta ganha ainda mais peso diante dos indicadores de violência registrados no Estado. Segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Rondônia encerrou 2025 com a segunda maior taxa de feminicídios do Brasil, com 2,9 casos para cada 100 mil mulheres.
Na avaliação de Hildon, os números mostram que o Estado precisa tratar o enfrentamento à violência contra a mulher como uma prioridade permanente, com planejamento, integração entre diferentes áreas e aplicação efetiva dos recursos disponíveis.
O candidato também defendeu que a proteção não pode começar somente depois que a violência acontece. Para ele, é necessário fortalecer mecanismos de prevenção, atendimento e acompanhamento das vítimas e ampliar a capacidade do poder público de identificar situações de risco antes que terminem em tragédia.
Plano prevê ações nos primeiros 100 dias
O combate à violência contra a mulher está entre as prioridades apresentadas por Hildon no Plano de Governo 2027-2030.
Entre as propostas estão a expansão da Patrulha Maria da Penha para todo o Estado e o fortalecimento das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher.
Outra medida prevista é a implantação, nos primeiros 100 dias de governo, de um Plano Integrado de Redução do Feminicídio. A proposta reúne áreas como segurança pública, saúde, assistência social, educação e Justiça, além dos municípios.
A ideia, segundo o candidato, é criar uma atuação articulada para enfrentar as diferentes causas e consequências da violência contra as mulheres.
Quando um orçamento reserva milhões para combater uma violência que pode terminar em morte, mas quase nada desse dinheiro é efetivamente transformado em ação, os números deixam de ser apenas estatísticas e passam a revelar uma urgência. Para as mulheres que vivem sob ameaça, cada recurso não executado pode representar uma proteção que não chegou, um atendimento que não aconteceu ou uma vida que poderia ter sido preservada. É justamente por isso que, além de anunciar investimentos, o poder público precisa garantir que eles saiam do papel e cheguem a quem mais precisa.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Assessoria













