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Sargento da PM é condenado a 21 anos de prisão por matar cabo dentro de caminhonete em Porto Velho

Crime ocorreu em janeiro de 2023 e teve como vítima um policial militar que mantinha uma relação de amizade com o acusado; Justiça também determinou a perda do cargo público.

Mais de três anos após um crime que abalou a Polícia Militar de Rondônia, a Justiça condenou o sargento Thiago Gabriel Levino Amaral a 21 anos de prisão pelo assassinato do cabo Elder Neves de Oliveira. O caso, marcado pela quebra de confiança entre dois colegas de farda, teve o desfecho nesta quarta-feira (8), quando o Tribunal do Júri reconheceu a responsabilidade do militar pela morte do companheiro de corporação.

A sentença foi proferida pelo juiz Jaires Taves Barreto, da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Porto Velho. Além da pena de 21 anos de reclusão, em regime inicial fechado, o magistrado decretou a perda do cargo público, por considerar que a conduta do condenado é incompatível com o exercício da função policial.

Cabo Elder Neves de Oliveira

Crime aconteceu após discussão

O homicídio ocorreu na madrugada de 18 de janeiro de 2023, na avenida Pinheiro Machado, região central da capital.

De acordo com as investigações, Elder Neves de Oliveira e Thiago Gabriel Levino Amaral estavam em uma casa noturna nas proximidades quando iniciaram uma discussão. Em seguida, deixaram o local na caminhonete do cabo.

Durante o trajeto, o desentendimento teria continuado. Segundo o Ministério Público, Elder foi atingido por dois disparos na cabeça enquanto dirigia o veículo. Sem controle da direção, a caminhonete acabou colidindo contra um carro estacionado.

Equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionadas, mas o policial já estava sem vida quando os socorristas chegaram ao local.

Imagens ajudaram na investigação

Câmeras de segurança registraram o momento em que o sargento deixou a caminhonete logo após a colisão. Ele foi preso ainda no local por equipes da Polícia Militar que atenderam à ocorrência.

Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Thiago se aproveitou da relação de amizade e confiança construída ao longo dos anos entre os dois policiais para surpreender a vítima e cometer o crime.

Motivação teria começado semanas antes

Segundo a denúncia, o homicídio teria sido motivado por um episódio ocorrido no dia 25 de dezembro de 2022, durante a festa “Farofa do Titi”.

Na ocasião, Elder teria repreendido o sargento. Conforme a acusação, após esse episódio, Thiago comentou com duas mulheres que mataria o cabo.

O Ministério Público também afirmou que os disparos ocorreram dentro da caminhonete em movimento, quando apenas acusado e vítima estavam no veículo. A investigação apontou ainda que os tiros partiram de alguém posicionado no banco traseiro.

Fim de um caso que marcou a corporação

A condenação encerra uma das investigações mais emblemáticas envolvendo integrantes da Polícia Militar de Rondônia nos últimos anos. Além da pena de prisão e da perda do cargo público, a decisão representa uma resposta da Justiça para um crime que ultrapassou os limites da violência comum ao envolver dois colegas de farda e uma relação de amizade interrompida de forma trágica. O caso permanece como um dos episódios mais marcantes da segurança pública no estado e reforça que nenhuma função pública está acima da responsabilização perante a lei.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Rondoniagora

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