Possível ofensiva dos Estados Unidos mira o JNIM, organização considerada terrorista, mas plano enfrenta resistência interna devido ao risco de confronto indireto com forças russas na África.
A crescente expansão de grupos extremistas na África Ocidental volta a preocupar a comunidade internacional e pode provocar uma nova intervenção militar dos Estados Unidos fora de seu território. Em um cenário marcado por terrorismo, instabilidade política e disputas geopolíticas, uma eventual ofensiva norte-americana no Mali pode ampliar ainda mais as tensões em uma das regiões mais vulneráveis do mundo.
Segundo informações publicadas pelo jornal The Washington Post, o governo do presidente Donald Trump avalia realizar uma operação militar no Mali, país localizado na África Ocidental. O principal alvo seria o JNIM (Jama’at Nusrat al-Islam wal-Muslimin), organização afiliada à Al Qaeda e classificada como grupo terrorista pelos Estados Unidos.
Grupo ampliou poder na região
De acordo com a publicação, o JNIM consolidou uma ampla base de atuação no Mali e passou a expandir sua influência para países vizinhos da costa africana, tornando-se uma das organizações extremistas mais bem armadas e poderosas da região.
Nos últimos anos, o grupo intensificou ataques que agravaram ainda mais a crise de segurança enfrentada pelo país.
Em setembro de 2024, integrantes da organização atacaram uma escola de treinamento militar próxima ao aeroporto da capital, Bamako, deixando cerca de 70 mortos.
Já em 2025, o grupo anunciou um bloqueio às importações de combustível e passou a atacar comboios de caminhões-tanque, provocando momentos de desabastecimento e praticamente paralisando a capital. As ações demonstraram a capacidade da organização de atuar em áreas onde, até então, sua presença era considerada limitada.
Segundo o Washington Post, o JNIM também realizou incursões em Bamako, conquistou uma cidade estratégica no norte do país e foi apontado como responsável pelo atentado suicida que matou o ministro da Defesa do Mali.
Risco de tensão com a Rússia
Apesar da possibilidade de uma ofensiva militar, a proposta divide integrantes do alto escalão do governo norte-americano.
O principal motivo é o risco de um envolvimento indireto com forças ligadas à Rússia, que atualmente mantêm presença significativa no Mali.
O país é governado por uma junta militar que, nos últimos anos, passou a contar com mercenários russos para enfrentar grupos extremistas. Inicialmente, o apoio era prestado pelo Grupo Wagner. Atualmente, essa atuação é conduzida pelo Africa Corps, organização que mantém vínculos mais estreitos com o Ministério da Defesa da Rússia.
Essa presença aumenta a preocupação de autoridades americanas sobre uma eventual escalada das tensões caso uma operação militar seja autorizada.
Casa Branca evita confirmar planos
Procurada pelo Washington Post, a Casa Branca não confirmou a existência de uma ofensiva em preparação.
Uma autoridade do governo afirmou apenas que os Estados Unidos têm incentivado governos do Norte e da África Ocidental a adquirir equipamentos e serviços militares norte-americanos para fortalecer o combate ao terrorismo.
Segundo a mesma fonte, a ameaça representada pelos grupos extremistas na região ultrapassa fronteiras nacionais e exige uma resposta coordenada entre os países afetados.
Enquanto o governo americano avalia seus próximos passos, a população do Mali continua convivendo com um cenário de violência constante, insegurança e instabilidade política. A possível intervenção dos Estados Unidos evidencia que o combate ao terrorismo permanece como um dos maiores desafios globais, mas também reforça que, em conflitos dessa magnitude, cada decisão militar pode desencadear consequências muito além das fronteiras onde os combates acontecem.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Diulgação/Getty Images













