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Irã diz que ataque dos EUA atingiu quartel da Guarda Revolucionária e amplia temor de escalada no Oriente Médio

Ofensiva americana contra instalações militares iranianas provoca mortes, leva Teerã a retaliar contra bases dos EUA em países do Golfo e aumenta o risco de um conflito ainda mais amplo na região.

A guerra no Oriente Médio ganhou mais um capítulo de tensão nesta sexta-feira (24), ampliando o clima de insegurança que já afeta milhões de pessoas dentro e fora da região. A nova troca de ataques entre Estados Unidos e Irã reforça o temor de uma escalada sem precedentes, enquanto civis convivem diariamente com o medo, perdas humanas e a possibilidade de um conflito de proporções ainda maiores.

O governo iraniano informou que um ataque com míssil dos Estados Unidos atingiu um quartel-general do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), na província de Gilan, no norte do país. Segundo a agência estatal IRNA, a ofensiva teve como alvo a sede da Marinha da Guarda Revolucionária, em Zibakenar, às margens do Mar Cáspio, provocando danos à estrutura militar e deixando pelo menos quatro mortos.

Ataque amplia ofensiva americana

O Comando Central dos Estados Unidos confirmou que realizou uma nova operação militar na noite de quinta-feira (23), classificando a ação como parte da 13ª noite consecutiva de ataques contra o Irã.

Segundo os militares americanos, foram atingidos centros de comando, instalações de armazenamento de drones, redes de comunicação, sistemas de vigilância costeira e capacidades marítimas iranianas. Washington, porém, não detalhou os locais exatos dos bombardeios.

As autoridades iranianas afirmam que um dos alvos foi justamente o quartel-general da Guarda Revolucionária em Gilan. A informação, no entanto, ainda não pôde ser verificada de forma independente.

A ofensiva ocorreu poucas horas depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sinalizar que ainda não considera o momento adequado para abrir novas negociações com Teerã.

Resposta iraniana atinge aliados dos EUA

A reação iraniana veio rapidamente. Ainda nesta sexta-feira, Teerã anunciou ataques contra instalações militares americanas localizadas no Bahrein, Kuwait e Jordânia, países que abrigam importantes bases dos Estados Unidos na região.

De acordo com a Guarda Revolucionária, foram atingidas a base de Al-Adiri, no Kuwait, e uma torre de observação da Quinta Frota americana, instalada no Bahrein.

Horas antes, a emissora iraniana Press TV informou que drones foram lançados contra a Base Aérea Sheikh Isa, no Bahrein, e contra a Base Aérea Al-Azraq, na Jordânia. Essas informações também não puderam ser confirmadas de forma independente.

O Pentágono informou que, na última semana, pelo menos quatro militares americanos morreram em ataques iranianos. Três perderam a vida na Jordânia e um morreu durante a detonação controlada de um drone iraniano no Iraque.

Países do Golfo entram em alerta

A intensificação dos confrontos elevou o nível de preocupação entre os países do Golfo, que passaram a reforçar medidas de segurança diante do risco de novos ataques.

Além do impacto militar, governos estrangeiros começaram a emitir alertas para seus cidadãos. O Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido, por exemplo, passou a desaconselhar viagens não essenciais ao Kuwait e ao Bahrein, diante da deterioração do cenário de segurança.

A possibilidade de novos bombardeios também preocupa a comunidade internacional, já que a região concentra importantes rotas comerciais e energéticas para a economia mundial.

Como começou a guerra

O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando o presidente Donald Trump anunciou uma ofensiva militar em larga escala contra o Irã. Segundo ele, o objetivo era neutralizar ameaças consideradas iminentes à segurança dos Estados Unidos, especialmente relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Antes do início da guerra, Washington já havia realizado o maior deslocamento de forças militares para o Oriente Médio desde a invasão do Iraque, em 2003, enquanto mantinha negociações diplomáticas com Teerã para um novo acordo nuclear.

As conversas, no entanto, fracassaram. Trump acusou o governo iraniano de rejeitar todas as oportunidades de abandonar suas ambições nucleares, decisão que culminou na ofensiva militar.

Os ataques conjuntos realizados por Estados Unidos e Israel provocaram milhares de mortes no Irã e, segundo autoridades iranianas e veículos locais, também causaram danos a museus, edifícios históricos e patrimônios culturais. A ofensiva resultou ainda na morte do então líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Como resposta, Teerã lançou sucessivas ações militares contra interesses americanos e aliados no Oriente Médio, além de fechar o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa aproximadamente 20% de todo o petróleo comercializado no planeta.

Um conflito que preocupa o mundo

À medida que os ataques se intensificam e novas frentes de combate surgem, cresce também a preocupação com os impactos que vão muito além do campo militar. O avanço da guerra ameaça a estabilidade de toda a região, pressiona a economia global e amplia o sofrimento de populações que convivem diariamente com perdas, deslocamentos e incertezas. Em meio às explosões e às decisões estratégicas dos governos, permanece a esperança de que a diplomacia volte a ocupar o espaço das armas antes que o conflito alcance consequências ainda mais devastadoras.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/US Central Comando/X

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