Pausa nas ofensivas reduz temor imediato de escalada militar e derruba o preço do petróleo, enquanto Teerã descarta retomada das negociações de paz e reafirma controle sobre a principal rota mundial de transporte de energia.
Depois de quase duas semanas marcadas por ataques intensos, mortes e uma crescente preocupação internacional, Estados Unidos e Irã interromperam os bombardeios que elevaram o risco de uma guerra de grandes proporções no Oriente Médio. A pausa nas ofensivas, anunciada após 13 dias consecutivos de confrontos, trouxe um breve alívio aos mercados e à comunidade internacional, mas está longe de representar o fim da crise. As divergências entre os dois países continuam profundas, especialmente em relação ao controle do estratégico Estreito de Ormuz.
A suspensão da campanha militar foi determinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o fim de semana. Em resposta, o governo iraniano informou que também deixaria de realizar ataques enquanto durasse a interrupção dos bombardeios americanos. Apesar disso, Teerã deixou claro nesta segunda-feira (27) que não pretende retomar negociações de paz com Washington neste momento.
Campanha militar chegou ao limite, dizem autoridades
Segundo informações divulgadas por autoridades americanas e pela imprensa dos Estados Unidos, a decisão de interromper os ataques ocorreu após uma avaliação dos principais comandantes militares.
Os oficiais teriam informado a Trump que os objetivos militares disponíveis estavam se esgotando e que novos bombardeios teriam pouca eficácia prática. Além disso, o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, manifestou preocupação com a redução dos estoques de armamentos de defesa aérea utilizados para proteger as bases americanas na região.
Veículos como The New York Times, CNN e Axios também relataram que assessores civis e militares recomendaram a suspensão da ofensiva.
O embaixador dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Mike Waltz, afirmou que a pausa busca abrir espaço para uma solução diplomática. O governo iraniano, porém, negou qualquer iniciativa nesse sentido.
Irã mantém posição sobre o Estreito de Ormuz
Mesmo com a interrupção dos ataques, o principal ponto de discórdia permanece.
O governo iraniano reafirmou que continua exercendo controle sobre o Estreito de Ormuz, considerado uma das rotas marítimas mais importantes do planeta para o transporte de petróleo e gás natural.
Washington sustenta que um memorando firmado entre os dois países prevê a garantia da livre navegação na região. Já Teerã interpreta o documento de forma diferente e afirma que mantém autoridade para supervisionar o trânsito de embarcações no estreito.
O Irã também negocia um acordo com Omã para formalizar esse controle. Durante o fim de semana, uma delegação omanense esteve em Teerã para discutir o futuro da via marítima.
Além disso, Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita realizaram contatos diplomáticos com Omã para acompanhar a situação.
Mercado reage com forte queda do petróleo
A trégua temporária provocou impacto imediato no mercado internacional.
Com a expectativa de normalização do fluxo de petróleo, o barril do tipo Brent caiu cerca de 7,8% nesta segunda-feira, recuando para menos de US$ 90, depois de ter ultrapassado brevemente os US$ 100 na semana passada.
Mesmo assim, analistas avaliam que a instabilidade permanece elevada, principalmente porque o Irã insiste que continua controlando o Estreito de Ormuz.
Na semana passada, os rebeldes Houthis, aliados de Teerã, chegaram a ameaçar bloquear também o transporte de petróleo no Mar Vermelho, aumentando ainda mais a preocupação com o abastecimento global de energia.
Conflito deixa mortos e destruição
Os 13 dias de confrontos provocaram dezenas de mortes no Irã, além da destruição de pontes, túneis e instalações militares.
Do lado americano, quatro militares morreram após ataques de retaliação iranianos contra bases dos Estados Unidos em países árabes da região.
O Irã também realizou ataques contra infraestruturas civis em países do Golfo, classificando as ações como resposta aos bombardeios americanos.
Negociações seguem indefinidas
Embora Estados Unidos e Irã tenham firmado, em junho, um acordo preliminar para abrir negociações sobre temas como o programa nuclear iraniano até o fim de agosto, o clima entre os dois governos continua marcado pela desconfiança.
Nos próximos dias, o cenário pode ganhar novos desdobramentos com a reunião prevista entre Donald Trump e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, em Washington. O encontro ocorre em meio à tentativa dos Estados Unidos de redefinir sua estratégia para a região.
Enquanto as bombas silenciam temporariamente, a disputa pelo controle do Estreito de Ormuz e as divergências diplomáticas mostram que a paz ainda está distante. A pausa nas ofensivas representa um respiro em meio à crise, mas o futuro do Oriente Médio continua cercado por incertezas que podem influenciar não apenas a segurança regional, mas também a economia e o abastecimento de energia em todo o mundo.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/CBN – Globo













