Declaração do ministro durante sessão de terça-feira (15) abriu nova frente de discussão sobre os indícios envolvendo Paulo Gonet e pode ser usada no caso que envolve Mendonça.
A sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) desta terça-feira (15) deixou mais do que divergências expostas entre os ministros. Uma declaração de André Mendonça sobre o procurador-geral da República, Paulo Gonet, passou a ser observada pelo grupo ligado ao ministro Alexandre de Moraes e poderá ser utilizada como argumento em uma próxima etapa da disputa interna da Corte.
Durante o julgamento, Mendonça questionou os elementos relacionados à eventual proximidade entre Gonet e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, depois de o procurador-geral negar qualquer relação de proximidade com o empresário. A manifestação provocou reação de Gilmar Mendes, que acusou o colega de leviandade. Mendonça rebateu e afirmou que não havia colocado palavras na boca do decano.
Declaração pode ser usada no caso Mendonça
Segundo a apuração, aliados de Moraes pretendem explorar a fala de Mendonça para questionar a forma como o ministro apresentou indícios relacionados ao próprio Moraes e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
A estratégia poderá ser levada à discussão sobre a denúncia apresentada contra Mendonça, que envolve acusações de abuso de autoridade e direcionamento de investigação. O caso está relacionado à condução de procedimentos que deram origem ao relatório da Polícia Federal sobre mensagens e registros encontrados no celular de Vorcaro.
A discussão sobre a regularidade dessas diligências já esteve no centro da sessão de terça-feira. Mendonça afirmou que determinou medidas para identificar integrantes de uma suposta rede de influência ligada ao ex-banqueiro e que os elementos encontrados indicavam que Vorcaro teria tido acesso antecipado a informações sobre investigações.
Sessão de Mendonça pode ser adiada
A análise do caso de Mendonça estava inicialmente prevista para 23 de setembro. No entanto, o pedido de vista apresentado por Flávio Dino durante a sessão de terça-feira interrompeu o julgamento sobre a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes.
O plenário havia discutido justamente se os casos envolvendo Moraes e Mendonça deveriam ser analisados de forma conjunta ou separada. Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a análise conjunta, enquanto Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela separação. Dino pediu vista antes da conclusão dessa questão.
A indefinição pode interferir no calendário da Corte. A expectativa é de que o presidente do STF, Edson Fachin, detalhe nesta quarta-feira (16) o rito que será adotado e avalie a necessidade de suspender a sessão prevista para a próxima semana enquanto o processo permanece sob vista.
Gonet nega vínculo com Vorcaro
Em meio à disputa, Paulo Gonet voltou a negar qualquer relação de proximidade com Daniel Vorcaro. Em ofício encaminhado ao STF, o procurador-geral afirmou estar juridicamente apto a continuar atuando nos procedimentos relacionados ao Banco Master.
O Conselho Superior do Ministério Público Federal também marcou para 25 de setembro uma sessão para analisar o conteúdo das mensagens que relacionam Gonet a Vorcaro. O procedimento foi aberto após pedido de parlamentares da oposição, e Gonet poderá ser ouvido no caso.
A movimentação ocorre em um momento de forte tensão dentro do Supremo, depois de uma sessão marcada por interrupções, acusações e divergências públicas entre os ministros. O julgamento que deveria avançar sobre a eventual investigação de Moraes acabou interrompido pelo pedido de vista de Dino, enquanto novos questionamentos passaram a envolver também a atuação de Mendonça e a relação atribuída a Gonet com Vorcaro.
O episódio mostra como diferentes frentes do caso Banco Master passaram a se cruzar dentro e fora do plenário. Enquanto os ministros ainda precisam definir os caminhos processuais para os casos de Moraes e Mendonça, cada manifestação feita durante as sessões pode ganhar novos significados e ser incorporada à disputa jurídica que mantém o Supremo sob intensa atenção pública.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/STF













