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Atlas: maioria dos brasileiros avalia que caso Jaques Wagner pode prejudicar candidatura de Lula

Levantamento aponta que mais de 60% dos eleitores acreditam que investigação envolvendo o senador petista pode impactar a disputa presidencial e a imagem do governo.

Em um cenário político já marcado por intensa polarização e disputas antecipadas pela sucessão presidencial, a operação da Polícia Federal que colocou o senador Jaques Wagner (PT) no centro das atenções surge como mais um fator capaz de influenciar o humor do eleitorado. Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (2) pela AtlasIntel/Bloomberg mostra que a maioria dos brasileiros acredita que o caso pode causar desgaste à eventual candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o levantamento, 61,2% dos entrevistados avaliam que a investigação contra o senador baiano prejudica a pretensão eleitoral de Lula. Entre eles, 32,4% consideram que o impacto é significativo, enquanto 28,8% entendem que o prejuízo existe, mas de forma mais limitada. Já 36,3% dos eleitores afirmam que o episódio não afeta uma eventual candidatura do atual presidente. Outros 2,4% não souberam ou preferiram não responder.

Impacto na imagem do governo

A pesquisa também buscou medir a percepção dos brasileiros sobre os reflexos da operação na imagem do governo federal. Para 39,6% dos entrevistados, a investigação contra Jaques Wagner prejudica muito a avaliação da atual gestão. Outros 17,5% acreditam que o episódio causa um desgaste menor.

Por outro lado, 36,2% consideram que a operação não produz impactos na imagem do governo Lula. Um grupo menor avalia que o caso pode até gerar efeitos positivos: 2,4% afirmam que melhora muito a imagem do governo, enquanto 2% acreditam em uma melhora discreta. Os indecisos somaram 2,2%.

Investigação e afastamento

O nome de Jaques Wagner foi incluído no levantamento após a Polícia Federal investigar um possível vínculo entre familiares e empresas ligadas ao senador com pessoas associadas ao extinto Banco Master.

Segundo a corporação, foram identificados indícios de possível recebimento de vantagens econômicas indevidas pelo parlamentar, direta ou indiretamente, por meio de familiares, pessoas próximas e estruturas empresariais relacionadas à instituição financeira.

Após a deflagração da operação, em 18 de junho, Jaques Wagner deixou a liderança do governo no Senado após reunião com o presidente Lula. Na ocasião, o senador afirmou que sua prioridade passou a ser provar sua inocência e dedicar esforços à reeleição do presidente, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, além de sua própria campanha ao Senado ao lado de Rui Costa.

A defesa do parlamentar sustenta que houve “erros graves” durante a operação e reforça que Jaques Wagner jamais utilizou sua atuação no Congresso Nacional para beneficiar o Banco Master.

Mesmo afastado da liderança governista, o senador voltou a manifestar apoio público ao presidente durante agenda na Bahia, afirmando permanecer “firme” na defesa da candidatura de Lula.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg ouviu 4.999 eleitores entre os dias 26 e 30 de junho. A margem de erro é de um ponto percentual, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento foi realizado com recursos do próprio instituto e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-04582/2026.

Em um ano eleitoral, pesquisas de percepção como esta revelam que, muitas vezes, o impacto político de uma investigação ultrapassa os aspectos jurídicos e passa a ser medido também pela confiança do eleitor. Em meio à disputa pela narrativa e pela opinião pública, cada novo capítulo pode se tornar decisivo para definir não apenas estratégias de campanha, mas também o sentimento de uma parcela significativa da sociedade brasileira.

Texto: Daniela Castelo Branco

Foto: Divulgação/Reuters

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