Operação mira estruturas militares próximas ao Estreito de Ormuz e amplia temor de uma escalada no conflito, com reflexos diretos na economia mundial e no mercado de petróleo.
A guerra voltou a ganhar força e, com ela, cresce também a preocupação de milhões de pessoas ao redor do mundo. A nova ofensiva militar dos Estados Unidos contra o Irã, iniciada na manhã desta quarta-feira (15), reforça o cenário de instabilidade no Oriente Médio e reacende o temor de um conflito ainda mais amplo, capaz de impactar não apenas a região, mas também a economia global e a segurança internacional.
O Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM) confirmou que iniciou uma nova onda de ataques contra alvos iranianos às 6h, no horário da costa leste americana. Segundo o comando, a operação tem como objetivo enfraquecer a capacidade militar do Irã, especialmente as estruturas utilizadas para atacar embarcações comerciais que transitam pelo estratégico Estreito de Ormuz.
Ataques se intensificam
A ofensiva acontece em meio ao bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos e marca a quarta noite consecutiva de ataques contra o território iraniano.
Durante a madrugada, uma base militar localizada em Bampur, no sudeste do Irã, foi atingida. De acordo com informações divulgadas pelo Exército iraniano e reproduzidas pela agência estatal IRNA, sete militares morreram na ação, entre eles soldados em serviço e recrutas. Outros integrantes das forças armadas ficaram feridos e seguem recebendo atendimento médico.
O CENTCOM informou que dezenas de alvos militares foram atingidos ao longo de uma operação que durou aproximadamente sete horas. Os bombardeios concentraram-se em áreas costeiras e nas proximidades do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte mundial de petróleo.
Irã denuncia mortes de civis
Enquanto os Estados Unidos afirmam que os ataques têm como foco instalações militares, o governo iraniano acusa as ofensivas de atingirem também a população civil.
A porta-voz do governo do Irã, Fatemeh Mohajerani, afirmou que pelo menos 30 civis morreram nos últimos dias em decorrência dos bombardeios realizados no sul do país. O número foi divulgado pela imprensa estatal iraniana.
As hostilidades entre Washington e Teerã voltaram a crescer na semana passada, rompendo uma trégua que já era considerada frágil desde o acordo firmado em junho, após meses de confrontos que deixaram milhares de mortos.
Trump aumenta a pressão
Em meio à escalada militar, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a endurecer o discurso contra o Irã.
Na terça-feira (14), ele afirmou que poderá ordenar ataques contra usinas de energia e pontes iranianas caso Teerã não retome as negociações diplomáticas.
“Vou deixar os alvos do setor energético para o final, mas, no fim das contas, vamos atacá-los”, declarou durante entrevista à Fox News.
Segundo Trump, representantes americanos seguem mantendo contato com negociadores iranianos para tentar pressionar o governo do país a voltar à mesa de negociações.
Nos últimos dias, o presidente também cogitou impor uma taxa de 20% sobre o transporte marítimo que passa pelo Estreito de Ormuz, proposta que gerou forte reação da agência de navegação da ONU e de diversos países. Posteriormente, ele recuou da ideia e afirmou que pretende buscar acordos de investimento com nações do Golfo.
Mercado reage à tensão
A intensificação do conflito já provoca reflexos no mercado internacional.
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira, depois de encerrarem a sessão anterior com alta de cerca de 2%, atingindo o maior nível registrado no último mês. A preocupação dos investidores gira em torno de possíveis interrupções no abastecimento mundial caso o Estreito de Ormuz seja afetado pelas operações militares.
O barril do Brent alcançou a maior cotação desde 12 de junho, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) chegou ao nível mais elevado desde 15 de junho, reforçando o impacto que a crise pode gerar sobre combustíveis, transporte e inflação em diversos países.
Mais do que números, estratégias militares ou disputas geopolíticas, cada novo ataque amplia a incerteza sobre o futuro de uma região marcada por décadas de conflitos. Enquanto líderes discutem poder e negociações, famílias convivem com o medo, perdas humanas se acumulam e o mundo acompanha, apreensivo, mais um capítulo de uma crise cujas consequências ultrapassam fronteiras e atingem diretamente a vida de milhões de pessoas.
Texto: Daniela Castelo Branco
Foto: Divulgação/Reuters













